"Sempre encontrei no sexo uma grande virtude consoladora, e nada adoça mais as minhas aflições vindas dos meus problemas do que sentir que uma pessoa amável se interessa por ele." Jean Jacques Rousseau
quinta-feira, 5 de junho de 2014
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Tardes loucas de uma mulher casada (Final)
Como sabem, a vida é feita de altos e baixos, e não
como designadamente nos contos – sejam eles de fadas ou de fodas! – passada
aquela euforia inicial, a minha líbido
pôde por fim, como uma anaconda empanturrada com algum incauto tapir, gozar o
seu lauto repasto e sossegar meio adormentada.
Mas dormente não é sequer adormecida, e muito menos
ainda morta!
Voltei à minha rotina diária de volta do texto, com a
motivação acrescida da consciência de que aquilo era o que eu efetivamente
queria fazer profissionalmente. Nunca me apercebera da importância e
responsabilidade do trabalho do editor no resultado final que irá para as
prensas e acabará nas mãos do leitor. O autor, quando escreve, fá-lo a quente,
e por vezes não se percebe que tem a mesma palavra por exemplo repetida dois ou
três parágrafos adiante. Sabendo que o tempo que os separa, por vezes chega a
ser horas, é normal. E aqui entrava eu, a limar esta e aquela aresta; a tirar
esta esquina e aquele buraco e a tornar a leitura mais fluida. Esta é aliás,
quanto a mim, a melhor definição para o meu trabalho: fazer a ponte entre o –
neste caso a – autora e o leitor.
Fui revendo capítulo a capítulo, e conforme os revia
enviava-os à Rosa, que por sua vez ou concordava com as alterações sugeridas ou
então reescrevia ela tendo em conta a minha sugestão.
Se já gostara dela quando a lera, fui gostando ainda
mais a cada dia que fui trabalhando com ela, e sentia nitidamente que o
sentimento era recíproco.
Ao fim de duas semanas, tínhamos o trabalho concluído.
Pude por fim descansar um pouco.
Ter-me embrenhado tão a fundo na história daquele
casal, cujo marido se assumira como o mais dedicado, apaixonado e assumido
corno-manso, e vivia para proporcionar à mulher as mais indescritíveis – mas
que a Rosa Mateus descrevia ao mais detalhado pormenor – noites de sexo puro e
duro selvática e bestialmente barradas com o mais verdadeiro amor. Sendo aquele
ministrado pelo amante e este pelo marido, que enquanto a mulher servia de
pedaço de carne para foder à infinita tesão do cavaleiro, a beijava, lhe pegava
na mão e a segurava nos braços para a ajudar a suportar cada estocada com que
aquele monstro sexual a fazia perder a noção do tempo e do espaço de tanto
prazer a que era sujeita.
Nunca esquecendo a prova maior de amor que um marido
pode dar à sua mulher. Vir imediatamente após a devastação, dar o divino
consolo das carnes arrasadas com os mais ternurentos e apaixonados linguados de
quatro lábios e uma só língua, em que a única recompensa que ele tinha era os
gemidos apaixonados da mulher e o creme de macho com que o amante dela a
recheara, e lhe assegurava sem a menor dúvida que a mulher fora efetivamente
bem tratada como merecia; como a Rainha das Mulheres e Imperatriz das Putas!
Não querendo plagiar a Rosa, mas o que ela dizia com “…milhares de imagens, tivessem penetrado na sua mente,
transformando-se em sementes de fantasia que a deixavam incendiada”,
era exatamente o que eu sentia quanto fechava os olhos e pensava no enredo do
“RIBATEJO ARDENTE”.
Conhecendo-mo
como me conheço, sabia perfeitamente que aquelas sementes também em mim
ficariam plantadas e mais hoje, mais amanhã, germinariam também e dariam
frutos.
Cabia-me
a mim, e aos infinitos arte e engenhos duma mulher, fazer com que também na
cabeça do Nando essas sementes germinassem. Sorri para mim mesma sabendo como,
no caso específico da sua cabeça, o que delas germinasse assumiria a forma
engraçada dum valente par de cornos; cabia-me a mim a responsabilidade de fazer
com que, em vez de vergonha, ele viesse a desenvolver orgulho e determinação de
cada vez que se consciencializasse do tremendo peso que tais ornamentos
representariam.
O
que eu queria não era um affair, ou uma aventura extramatrimonial, isso além de
vazio e estupidamente fácil, não me traria o que eu realmente desejava: aquele boost na nossa intimidade e cumplicidade
que – tinha a certeza – se traduziria num galvanizar do nosso amor.
Não
podia, pelo menos para já, pensar em envolver alguém conhecido, teria que ser
alguém de fora. Alguém saudável e que não levantasse objeções a fazer o que
fosse preciso para poder participar duma aventura assim no seio dum matrimónio
consagrado pelos votos de Deus e dos homens. Teria que ser alguém disposto a
provar, com toda uma bateria de exames médicos que dele, a única coisa que
jorrasse, seria esporra a montes, tesão às carradas e luxúria desmedida!
Comecei
pelo mais óbvio terreno de caça: o Facebook!
E
em nenhum outro caso se nota a superioridade da mulher face ao homem. Isto sem
tirar pedaço ao que, em qualquer bar, discoteca, trabalho, rua ou vizinhança, se
passa em termos de possibilidades de engate, mas aí a presença física sempre
atenua um pouco os avanços e modera as intenções. Mas ali, onde por mais que os
homens, taditos, se achem no papel de caçadores, são eles as presas.
Pois é querida
Rosa, nem mais. “É nisso que assenta a
minha convicção de que uma mulher não se conquista; entrega-se. É como um jogo,
só que a mulher parte sempre com a vantagem de ser ela a decidir se joga ou
não.”
Escolhi a minha presa. Um J. G.; polícia, trinta e
poucos anos, prontamente disposto a enviar as mais esclarecedoras fotos, que
deixavam adivinhar a melhor das performances na hora H, tanto pelo corpo
musculado como pelo seu admirável apetrecho. Meti conversa com ele, e
expliquei-lhe pormenorizadamente os meus planos.
Achou que era esmola a mais, e exigiu um encontro.
Engoli em seco quando ele o escreveu. Pensei um pouco e decidi que, se ganhasse
a coragem, quando fosse novamente a Lisboa, me encontraria com ele.
Deu-me o seu número de telefone, e assim ficou
combinado.
Mas é impressionante o poder da natureza e terríveis
os efeitos do proibido. Tentei, através da sua “conversa”, aperceber-me se
seria interessante o suficiente para o plano que eu orquestrei: fá-lo-ia passar
por um “cliente”, que me enviasse um texto para análise, e avançaria a partir
daí. Pela sua maneira de escrever, notava-lhe o necessário, e marquei o
encontro com ele.
Na semana seguinte, na esplanada do Nicola, em pleno
Rossio a meio da tarde, a tremer que nem varas verdes, vejo-o chegar. Tinha combinado
esperá-lo se pé, junto a uma caixa daquelas metálicas da PT, das linhas
telefónicas uns metros desviada da esplanada, e topei-o ao longe, vindo da rua
Augusta.
Uma camisa justa evidenciava o seu físico bem
trabalhado, e as calças de ganga de marca, assentavam-lhe como só as calças de
marca o fazem; perfeitas. Era mais alto do que o imaginara, os dez centímetros que
tinha a mais que o meu marido não eram só os dez centímetros que à partida eu
visualizara, faziam-no um muito mais imponente espécime masculino. A materialização
duma fantasia faz-nos tomar consciência do que realmente estamos a fazer, e a
dualidade de sentimentos é viciante. Face à razão, o “quero lá saber”, e o “Meu
Deus o que é que eu aqui estou a fazer?” têm um efeito simplesmente corrosivo,
e naquela esplanada não foi diferente.
O J.G. parou, olhou em volta com o seu olho treinado
de polícia de intervenção, e tive a certeza de que soube que era eu, não
obstante a minha aparente alheação àquilo tudo que se estava a passar no meio
do reboliço. Levou a mão ao bolso, tirou o telemóvel e olhou para ele. Como um
lince olhou direto para mim nesse preciso momento, a apanhou-me. Sorriu, dirigiu-se
para mim, e eu simplesmente não consegui disfarçar. Pela minha cara teve a
confirmação que ainda lhe faltava. A transpirar uma autoconfiança que me fez
tremer toda, nem esperou que eu o convidasse, puxou uma cadeira e, antes de se
sentar estendeu-me a mão para me cumprimentar.
O toque dele, forte e suave, surpreendeu-me. É impressionante
como a nossa sensibilidade se adequa ao que se passa. O simples facto de eu
saber que a razão de ali estar era avaliar se ia para frente com a minha
eventual ida para a cama com ele, deixou-me permeável ao um novo nível sensorial,
que me estimulou o que normalmente não estimula no dia a dia quando tocava
outras pessoas.
“Olá, sempre vieste!”
“Tinhas dúvidas…”
“Já me aconteceu antes, acabar numa caça aos
gambuzinos. É sempre um risco que se corre, e sem correr riscos, pouco se
alcança, não é?”
“Tens razão!”
“E?”
“E o quê?”
“O que achas de mim?”
“O que achei quando falei contigo pela primeira vez. Mesmo
antes de te ver como nem a tua mãe alguma vez te viu! Ou pelo menos assim o
espero…”
Sorriu, meio envergonhado. “É verdade, ela nunca me
viu assim… tão animado como eu estava quando me tirei as fotos que te mandei!”
“Vocês homens, realmente são todos iguais. Tu não
acreditas mesmo que não é aquilo que faz com que algo venha a acontecer, pois
não?”
“Acaba por ser, ou duma maneira ou doutra, acaba por
assegurar a nossa “disponibilidade” para a ação.”
“Whatever…
adiante, percebeste o meu plano?”
“Percebi. E podes contar comigo.”
“Só quero que mantenhas isto bem presente: eu não
quero mandar umas por fora. Aquilo que eu quero de ti – caso aceites – é no
fundo usar-te como um objeto sexual nosso. vais ser um Dildo com pernas e
cabeça, que vais servir para o que te dissermos para servires! Se isto te fere
o teu orgulho de macho, ou te deixa intimidado, pensa bem porque não quero a
mínima confusão. Já basta o que isto pode provocar.”
“Eu entendi perfeitamente. Eu também não quero a mínima
confusão com a minha namorada, e quero muito participar numa cena destas. Em relação
às análises, eu também vou querer ver as vossas.”
“As minhas sem problema; as do meu marido é que vai
ser mais difícil…”
“Tu confias nele?”
“Acima de tudo, mas isso vale o que vale, não é? Ele também
confia em mim e olha-me aqui, a falar o que estou a falar contigo.”
“Tens razão…”
Conversámos
mais um pouco, eu tinha que apanhar o comboio das 15:48 para estar no
entroncamento por volta das cinco e pouco a tempo de ir buscar meu sobrinho à
escola, e ele acompanhou-me a Sª Apolónia no metro. Foi comigo até à plataforma
e eu sentia a sua necessidade por alguma coisa que lhe assegurasse que não
tinha perdido o seu tempo. Faltavam dez minutos para a hora do comboio, e
mandei tudo às urtigas quando o puxei para dentro da carruagem vazia que já lá
estava à espera. Dei-lhe o que ele precisava: uma oportunidade de me tocar. Chegou-se
atrás de mim e inclinou-se para me beijar o pescoço, apanhando-me o cabelo todo
numa mão cheia. Fraquejei nos joelhos e encostei-me mais a ele. Sentia-o pronto
por mim, e toquei-o.
Isso fê-lo voltar-me dentro dos seus braços grossos e
sem eu saber muito bem como estava a ser beijada com uma volúpia quase obscena
por outro homem que não conhecia de lado nenhum, e aquele beijo, mais do que as
suas mãos omnipresentes por todo o meu corpo, deixaram-me suficientemente
descontrolada ao ponto de ainda me ter passado um pensamento pela cabeça de não
apanhar aquele comboio e apanhar outro mais tarde.
Valeu-me ter entrado uma senhora mulata, que
discretamente fingiu que éramos transparentes e fez-me ganhar consciência de
que podia muito bem ser alguma das centenas de pessoas que todos os dias, a
toda a hora apanham o comboio de e para o Entroncamento.
Com o sabor do seu tesão na minha boca, pela forma
como ele mo fizera sentir com aquele beijo de tirar o fôlego até à mais
experiente mergulhadora, afastei-o. Empurrei-o para a porta e evitei olhar
sequer para ele antes que estivesse lá fora.
Não ficou à espera, foi embora fazendo o gesto de
teclar, indicando que falaríamos pelo Facebook, e fiquei a ver aquele rabo de
sonho a afastar-se.
Minha Nossa Senhora das Perdições! O que é que eu
tinha acabado de fazer? Ainda bem que fora tudo planeado para não ter mais
tempo; se doutra forma tivesse sido, o que era suposto ter sido um casting
teria sido logo a filmagem duma superprodução! E com mais sequelas do que a Star Wars!
Nesse dia ainda, pus o plano em ação. Referi por acaso
aquele novo “cliente” que queria deixar em livro a realidade dum polícia de
intervenção, o que passam nas operações pelos bairros problemáticos da
periferia da grande Lisboa, e disto e daquilo, referindo-o sempre com o distanciamento
necessário para parecer uma conversa casual, mas ao mesmo tempo que o Nando se
lembrasse dele.
E resultou.
Mais tarde, na cama, ele perguntou-me se eu sabia como
ele era. Disse-lhe que sim, claro. Que junto com o texto vinha imensas fotos
dele em ação. Menti-lhe que em todas elas ele aparecia com a balacava posta,
pois queria preservar a sua identidade, mas que devia ser um calmeirão
musculado, pela sua figura fardado.
Esperei mais um pouco; muito pouco mesmo, e enquanto
se posicionava no seu posto de combate cada vez mais frequente, pediu-me para o
imaginar. Não imaginava ele como eu já o vinha fazendo há dias, e como naquele
dia em particular isso me foi fácil.
Ficou todo inchado no ego por pensar que o meu estado
de excitação que lhe encheu a boca dos sucos de cio que eu passara a tarde a
segregar, se devessem todos a ele.
Como eu esperara, conforme a tesão o foi inebriando o
bom-senso, foi-me espicaçando, e espicaçando até que por fim eu explodi numa
verborreia insana a pedir-lhe que sim. Que queria que ele me arranjasse um
outro homem para me montar como a uma cadela no cio, que lhe queria dar esse
prazer, que queria ser assim puta dele, que ele me andava a deixar doida com
aquelas sugestões, e que queria sentir um outro homem a esporrar-se todo dentro
de mim enquanto ele me beijasse a boca com a língua e a mente com o olhar;
resultado? O esperado. Montou-me com a fúria dum touro enraivecido. Puxava-me
os cabelos fazendo-me arquear as costas e espetar-lhe as mamas na cara, abafou
a cara no meio delas e mordeu-me ora num ora noutro mamilos com uma força muito
além da comedida de quem se limita a fazer amor; fê-lo com a de quem fode, como
uma mulher deve ser fodida – pelo menos de vez em quando!
Pela primeira vez de há já um bom tempo, não se
retirou depois de se vir e continuou a bombar até se vir uma segunda vez.
Estávamos os dois alagados em suor e eu transbordava
de molho de macho. Não pensei que ele mantivesse o fulgor mental necessário
para a já habitual incursão pelos despojos do nosso prazer conjunto, mas
surpreendeu-me. Não era só eu que me tinha viciado naquele jogo perverso,
também ele se podia queixar dessa nova adição.
Éramos o vício e a cura, a origem e o fim do que o
outro precisava para nos realizarmos plena e sexualmente como homem e mulher,
como macho e fêmea.
Nem acreditei quando ele me pediu se podia ver uma
foto do J.G., e eu disse-lhe que lhas mostrava no dia seguinte.
Eu dera o empurrão inicial naquele novo mundo, tão
subtilmente como só uma mulher consegue e sabe fazer. E agora era só uma
questão de me agarrar bem e deixar-me ir naquilo que, sabia-o tão bem como um e
um são dois mas às vezes são três, acabaria por mais cedo do que imaginasse, me
veria numa cama de perna aberta debaixo daquele metro e oitenta e quatro de
policia bruto de intervenção, e a olhar para o olhar desvairado do Nando que,
de boca aberta não conseguiria disfarçar a sua urgência em sentir-me as carnes
moles todas empapadas em esporra de outro, para assim se excitar à doida e me
levar ao mais recôndito dos cantos do sétimo céu.
Dada a sua voracidade no que me estava a fazer, nem
hesitei em perguntar-lhe se ele o contactaria para organizar um fim de semana
alucinante de sexo; eu sabia que, como ele estava, a tudo responderia com um
irrefletido contudo sincero:
“Sim, se tu alinhares nisso, eu faço-o!”
“Ai amor, tu matas-me de tesão. E conseguiste!”
“Consegui o quê?”
“Transformaste uma lagarta numa borboleta! Uma esposa
numa puta; a tua esposa na tua e só tua puta!”
Nem as palavras que Ali Babá gritava à montanha eram
mais rápidas na eficácia em fazer a rocha mover-se como as minhas o moveram a
ele, que passou dum amolecido estado de pós prazer à mais rígida
prontidão, e agora com um misto de
tesão, paixão revestidas pelo cada vez maior amor que nos unia, procurou outra
vez o seu eterno e sempre cativo lugar no Universo: entre as minhas pernas e
dentro do meu ventre!
FIM
Como prometido, J. G. aqui tens!
Agradecimentos à minha querida amiga de armas, Rosa
Mateus pela sua autorização a referi-la e ao seu romance “RIBATEJO ARDENTE –
Segredo, Erotismo e Paixão”, que tanto me inspirou para o presente conto.
Espero que tenham gostado.
Dulce Torini
terça-feira, 3 de junho de 2014
A manter debaixo de olho!
(...)
Levá-lo-ia ainda mais longe, quando fosse buscar as recordações da sua
primeira vez.
“Dá-te. Dá-te sem medo como eu me dei ao meu professor de Economia.”
Aquela seria a sua última volta da combinação secreta que o destrancaria. A
partilha da primeira vez que a mulher tinha sentido um pénis, que fora também a
sua primeira penetração; a que a desvirginara.
Ela tinha na altura, já vinte anos – provavelmente a única mulher do século
a perder a virgindade tão tarde. A esterilidade adormecera-lhe a líbido, e
passara pela adolescência e puberdade armada em forte, mas só Deus e ela é que
sabiam do seu desespero. Evitava pensar nisso, ao mesmo tempo que passava a
imagem da gaja meio desligada e superior às merdas dos namoricos.
Acabara o secundário e entrara para Economia no ISCTE. Passou o primeiro
ano com uma perna às costas; normal, sem nunca se ter distraído com aquelas
outras coisas. Mas certa tarde do fim de maio, no gabinete do professor, nunca
o conseguiu explicar, mas o que nunca lhe dera para ali, deu-lhe tudo duma vez.
O professor achava-lhe piada, e ao seu jeito irreverente.
No meio duma dúvida qualquer, e entre um roça daqui e roça dali ao qual ela
não reagia, quando ele parou encostou-lhe ela a sua perna – e deixou-a lá
encostada à do professor. Entredentes e sem tirar os olhos da resma de
fotocópias, disse-lhe que era virgem, e que queria deixar de o ser. Que queria
que fosse ele.
O professor pousou-lhe a mão na perna sobre o joelho esquerdo e subiu-a
lentamente; intoxicado pelo toque de pele nova. Também ele era virgem numa
coisa daquelas. Nunca lhe havia tocado nada do que a tantos colegas devia
tocar, para situações daquelas situações granjearem até estatuto de cliché de filme porno, e calhava-lhe
logo o totoloto: uma miúda perdida de boa e virgem! Se alguma coisa o fez
pensar nas consequências que dali eram certas de advir ninguém sabe, pois o que
é certo, é que meia hora depois, entravam separados por quatro minutos numa
pensão manhosa e sombria no Martim Moniz.
Teve o professor a ética e hombridade de o fazer como devia. A sua única e
inesquecível aventura com uma aluna viria a ser, com toda a experiência dum
homem maduro, a mais perfeita que a primeira vez duma mulher pode ser sem
envolver outras magias e enlevos de romance e amor. Foi uma tarde de sexo e
descoberta, de mais sexo e depois mais sexo ainda.
O Veloso transportar-se-ia àquele momento em que a mulher se entregara à
penetração do maduro e obscenamente veiado tarolo. Como ela, também ele
sentiria com o olhar vago o seu corpo a cooperar e a entregar-se à invasão mais
que assegurada. Inflamar-lhe-ia o que lhe restasse da mente com o sopro das
últimas palavras.
“Hoje, meu amor, és tu a
puta de serviço; a minha puta!”(...)
Rosa Mateus in "Ribatejo Ardente - Segredo, Erotismo e Paixão"
Um surpreendente romance carregado dum erotismo deliciosamente explícito, sentido. A não perder, brevemente nas bancas!
Tardes loucas de uma mulher casada (3ª Parte)
Com a libido apaziguada e as carnes doridas, a razão
pôde enfim sobressair e deixar o bom senso governar um pouco. Levantei-me, esqueci
por um dia a necessidade de economizar em tudo a toda a hora e enchi a
banheira. Precisava dum longo e retemperador banho de imersão, que se revelaria
milagroso.
Depois do almoço - uma salada rápida - agarrei-me ao
trabalho. Desta vez consegui abstrair-me o suficiente do conteúdo e focar-me na
forma. Não foi propriamente fácil ‘’apanhar’’ o estilo por vezes confusamente
embrenhado da Rosa, que para chegar dois metros ao lado de onde estava, levava
o leitor a dar uma volta à Europa passando pela Ásia e visitando a Oceânia.
A minha primeira reação foi de cortar, mas tudo o que
lá estava fazia falta – mais cedo ou mais tarde. Resumindo e baralhando, a
tarde lá se passou sem que eu me tivesse portado mal.
Quando o Nando chegou, e animado pela noite anterior,
mostrou como estava desejoso de, o mais rapidamente me apanhar novamente na
cama. Eu não lhe podia espetar novamente com a batida desculpa da dor de
cabeça!
Sabia bem porque estava assim; porque quis! Não
podia agora fugir com o rabo à seringa; tinha mais era que me aguentar e cumprir
com o meu dever de mulher.
Ajudou o tinto que ele abriu; sacana sabe bem o efeito
que dois copos exercem sobre mim, e o que três exercem sobre as minhas coxas. Como
ele costuma dizer zanga-as uma com a outra e afasta-as cada uma para seu lado.
Deixei rolar, afinal uma mulher é uma mulher, certo?
Por me ter sentido assim para o choucha, depois de
levantar a mesa, chegou-se por trás de mim e apoiou-me as mãos enormes e mornas
nos meus ombros. O seu sorriso dizia-me o quanto sabia no que aquele toque resultava.
“Ai mãe…”
“Que queres tu agora à senhora, deixa-a lá estar
sossegada, que ainda lhe dava uma coisa se visse bem o que te está para
acontecer.”
“E o que é que me está para acontecer?”
“O mesmo que acontece a uma lagarta!” Acentuou a
massagem e fez-me suspirar. “Tu aqui, agora és como uma lagarta, uma Lady; e as
minhas mãos vão iniciar a tua metamorfose naquilo que te vais acabar de transformar
no quarto, como numa linda e deslumbrante borboleta, na mais fascinante das
putas.”
“Ai então tu queres-me puta, é isso?” Fiz-me de novas,
exagerando na minha admiração, como se dourado dos meus canelos me tivessem
efetivamente retardado a compreensão. “E para que é que tu quererias uma coisa
dessas?”
“Para fazer cá umas coisas que me ocorreram!”
“Ohh! O quê?!”
“Umas coisas… não dão para explicar. Eu depois
mostro-te.”
“Então, mas… e achas que uma puta é que é boa para
fazer essas… coisas de que falas? Porquê uma puta? E uma puta como, fina?”
“Não! Fina, não; reles. Uma daquelas bem ordinárias
capazes de tudo!”
“Que horror. E queres a tua mulherzinha assim?”
“Sim!”
“Então e depois? E se me acontecer o que acontece às
borboletas? Elas não se remetamorfozeiam novamente em lagartas, pois não? E se
eu nunca mais deixar de ser puta?”
“Deixas, deixas; quando saíres do quarto, voltas a
ser uma Lady!”
“Ohh… que chatice.”
Rebentámos numa gargalhada incontrolável que o nosso
olhar mútuo fez esmorecer. O Nando pegou-me mo pescoço e inclinou-se. Parou com
a cara a centímetros da minha e fixou-me intensamente. A sua mão quente, que me
agarrava forte a base da nuca, o lume do seu olhar e o calor do vinho, tudo se uniu
para me derreter em desejo que senti aflorar na face e humedecer na intimidade.
E é engraçado como o corpo e principalmente a mente
duma mulher é; talvez por estas e por outras é que a Rosa Mateus acredita e
defende que somos nós o sexo forte; uma mulher aguenta tudo! E uma puta, em
última análise, não é outra senão uma mulher com M grande.
Por mais que passe um dia inteiro a perceber como um regimento de marujos regressados duma comissão de ano e meio em alto mar matam as saudades de mulher, arranja sempre forma de dar um sprint final se o marujo tímido e envergonhado lá mudar de ideias e afinal também quiser a sua lasca.
Não seria eu agora que desgraçaria o género e me armasse em bonequinha com frenicoques e não me toques!
Por mais que passe um dia inteiro a perceber como um regimento de marujos regressados duma comissão de ano e meio em alto mar matam as saudades de mulher, arranja sempre forma de dar um sprint final se o marujo tímido e envergonhado lá mudar de ideias e afinal também quiser a sua lasca.
Não seria eu agora que desgraçaria o género e me armasse em bonequinha com frenicoques e não me toques!
Englobei a sensação de maceramento e dorido que me
acompanhara durante o resto do dia, e vi-a como ajuda a entrar no papel em que
o meu marido me queria; afinal, puta que é puta, deve passar a vida inteira a
sentir aquela sensação.
“Nando; amor! Sabes que há um ditado muito antigo,
acho que é egipcio ou bretão, ou se calhar é azteca – que é tudo a mesma coisa –
que diz que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos; às vezes acontece!”
Levantara-me e acabei de falar já de pé, a olhá-lo nos
olhos e mordi o lábio inferior marota, passei-lhe a mão ao de leve no seu triângulo
dos prazeres, dando-lhe o tempo suficiente para acusar o toque e reagir-me na
ponta dos dedos. Tenho a certeza de que perdeu ali no meio, um dos passos
corretos na sequência inspira-expira-inspira-expira… até se engasgou! Deixei-o
a ver se percebia ao certo o que se tinha acabado de passar ali, enquanto ficou a ver-me afastar a rebolar sensualmente o rabo da sua perdição.
Quando chegou ao quarto, depois de fazer a sua ronda
habitual pela casa a verificar as portas da rua, eu já tinha posto o nosso CD a
tocar baixinho. Há coisas que fartam e aborrecem, mas as nossas músicas são as nossas
músicas. E o Purple Rain, por mais batido,
cliché, velho ou o que lhe quiserem chamar, será sempre o nosso Purple Rain de sempre. Eu estava nua sobre a cama, tapada só com o lençol. Tinha uma perna esticada por baixo do lençol, e a outra, fletida, aparecia destapada; eu abanava-a dum lado para o outro explicitamente sugestiva da
minha propensão a abri-la. Subiu para a cama e eu fi-lo parar com o pé,
apoiado no seu peito.
Apanhei-o com uma surpresa que ele não disfarçou. Pensou que eu
estivesse a brincar e tentou forçar-se, em vão pois só me fez ser ainda mais
veemente na minha intenção:
“Diz lá então, querias uma puta não era?!”
“Sim!” A voz tremida não enganou. Ele gostara do que
experimentara na nossa noite anterior, e vinha à procura de mais.
“Então prova-o!”
“Como?”
“Faz-me puta. A tua puta!”
“Como?!”
“olha que pergunta! É bem simples: o que é que uma puta faz durante o dia?”
“Fode.”
“E como é que fode?”
“Como uma louca, à bruta.”
“E era assim que me querias?”
“Ss…im!”
“Ss…im? O que é que é isso? Fala, como um homem!”
Ele parecia não me reconhecer. Caramba, até eu não me reconheci!
“SIM!”
“Assim sim! Então vê como uma puta que fodeu o dia
todo está ao fim da noite!”
Ele puxou o lençol lentamente, e o seu deslizar pela
minha pele ao descobrir-me as mamas, a barriga, e por último a minha perna
esticada – que eu entretanto fui abrindo – obrigando a ponta do tecido acabar
por me roçar entre as coxas e no meu clitóris já intumescido, fez-me arrepiar
desde a nuca até à ponta dos dedos dos pés.
Esperei que ele caísse de boca, esfomeado, para lhe
apoiar as minhas mãos bem abertas na sua cabeça, guiando-o e puxando-o leve mas
determinadamente, e só depois fechei os olhos.
Perdi-me novamente num mundo como o que a Rosa Mateus
descreve, com visões surreais como se do fundo dum mar onde por entre algas
ondulantes vislumbrasse uma das suas passagens em que provava o mais divino dos
prazeres: o devorar em absoluto abandono pela boca dum marido ensoberbado pelos
cornos!
Tinha que aproveitar o estado “quero-lá-saber” em que
ele estava para mandar todo o carvão que conseguisse para aquela fornalha!
“Gostavas, não gostavas? De me comer assim depois de
eu ter estado com outro homem?”
Uma réstia de dignidade de macho embrutecido ainda tentou
reagir, e eu acabei por afogá-lo numa nova vaga de cio em estado liquido que
senti escorrer de mim diretamente para a sua boca.
“Gostavas. Eu sei que gostavas, não precisas de me
responder doutra forma; eu já percebi.”
Presenteei-o vindo-me e contorcendo-me como uma cabra
alfeira. Saber perfeitamente que era daquele momento que ele estava à espera
para vir rentar o que o barrava de vir com todo o seu poder e pujança para me
vergastar mental, e fisicamente devastar pelo desaforo, ainda acabou por me
despoletar uma última viagem – mais rápida é certo – aos arredores do Olimpo.
Apanhou-me naquele momento em que tudo começa a parar
de rodopiar, mas em que ainda estamos zonzas. Não reagi; não o conseguiria
mesmo que o quisesse, quando ele se enterrou furiosamente em mim e me demoliu a
intimidade em estocadas de deleite que, em crescendo, me levaram a acompanhá-lo
num explosivo e memorável como os são sempre até ao próximo, orgasmo simultâneo!
Quando por fim nos separámos, e eu senti por fim aquela
lancinante dor nos tendões das virilhas que uma mulher sente depois de bem
montada – sinal derradeiro de que o foi efetivamente! – e me aninhei nos seus
braços, lembrei-me daquele casal de personagens do Ribatejo Ardente. Quando a
mulher assim se aninhou também e adormeceu a pensar como diria o que queria
dizer ao marido.
À falta de mais coragem, disse-lhe baixinho.
“Eu amo-te. E é bom ser a tua puta.”
“Eu sei. E eu também te amo!”
Tardes loucas de uma mulher casada (2ª Parte)
Sempre sem abrir os olhos, coloquei uma almofada
debaixo de mim, que me deixou com o rabo bem espetado no ar. Queria senti-lo
assim a escorregar lentamente entre os meus lábios gulosos. Aproveitado o
néctar de macho que ainda tinha dentro de mim, que eu sentira ser injetado
direto dos colhões do meu marido, apontei-o e fi-lo entrar em mim até que a
cabeçorra me fez suspirar quando me empurrou o cérvix, e forcei-o ainda mais um
pouco: eu queria sentir o contacto pesado dos tomates da base a abafar-me o
clitóris.
Nada como essa sensação para me assegurar que o tinha
deliciosamente metido! Quando lhes senti o toque nas bordas da minha vagina, bem
esticadas à volta daquele quilo e meio de prazer carnal – ainda que fosse a
fingir – deixei-me ficar o mais imóvel que a minha respiração descompassada me
permitia!
Estava em comunhão com A entidade suprema; Aquele a
Quem normalmente chamam de Deus. Estava finalmente em Zen. Podia continuar mas
acredito que já me terão entendido. Percebi então o êxtase visível na cara das
mulheres que se entregam ao fisting;
ao prazer simplesmente tão intenso da extrema dilatação.
Se melhor não soubesse da espantosa elasticidade e capacidade
de recuperação duma vagina, e teria certa a minha permanente e irreversível destruição
como mulher para que homem fosse que de futuro me penetrasse. Mas a ideia, só
por si, era arrasadora.
Tive receio, não do que podia acontecer, mas por me
conhecer demasiadamente bem para ter a certeza de que o experimentaria:
tocar-me lenta e saborosamente no clitóris e nos lábios a toda a volta daquele
cavalar objeto de delírio que a gravidade me ajudava a engolir até mais não
poder entrar.
Foi um orgasmo diferente. Quando digo diferente é
porque foi incomparável com qualquer outro que em mais de vinte anos de sexo a
solo ou acompanhada alguma vez experimentara. Comecei a senti-lo formar-se nos
confins da minha mente pelo proibido do que estava a fazer, pelo risco de me
lesionar, pela dor para lá do subtil, que implacável, tanto me empurrou para o
abismo. Foi com uma série de beliscões ora num ora noutro mamilo, magistralmente
sincronizados com os leves mas insistentes toques no meu clitóris obscenamente
ereto que me deixei cair numa sucessão de orgasmos que me devastaram o corpo
completamente deixando-me num farrapo.
No meio do turbilhão, naquele transe em que mergulhei
e parecia eternamente aprisionada, visões da cena dos cavalos que a Rosa
descrevera: de alguma forma senti-me como aquela égua bestialmente montada pelo
garanhão que com o seu membro do comprimento, e grossura, do braço dum homem a
emprenhara.
A falta da voluptuosa sensação de peso, que teria
tornado aquele perfeito momento sublime, foi a última coisa de que me lembro
antes de me ter apagado.
Voltei a mim minutos depois, com a perda de sentidos o
dildo escorregara para fora e sentia-o encostado ao meu rabo. Mexi-me
lentamente e rebolei, ficando de lado. Não me conseguia decidir se seria melhor
enrolar-me em posição fetal, se com as pernas esticadas.
De cada vez que tentava mexer um músculo, toda eu
tremia, e lá consegui encontrar uma posição meio-termo entre uma e outra que me
permitiu recuperar daquele inesquecível orgasmo.
E era oficial. Nunca o reconheceria a mais ninguém,
mas estava efetivamente doida. Tinha ensandecido, e não havia volta a dar.
Aquele Ribatejo Ardente era a mais potente das drogas
para os mais exigentes viciados em erotismo.
E eu estava a ficar dependente! Dependente não, que é
coisa de gente fina; eu estava mesmo era a ficar agarrada!
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Tardes loucas de uma mulher casada (1ª Parte)
Olá, o meu nome é Dulce, tenho 36 anos e sou
portuguesa.
Dei aulas de português durante doze anos, mas agora
estou desempregada, tal como milhares de portugueses.
Desempregada! No dia que os resultados do concurso
saíram, em agosto, e vi que não ficara colocada, fiquei para morrer; como
iríamos dar a volta só com o vencimento do meu marido?
Nos dois meses seguintes, comecei à procura de
trabalho nos classificados dos jornais, em sites
online e em tudo quanto era empresa
da minha região; e nada!
Uma amiga minha, editora freelancer, que mora em Lisboa, então propôs-me trabalhar com ela. Conhecemo-nos na faculdade, quando tirámos o curso, e
ficámos as melhores amigas.
Ela começara a fazer aquilo como um part-time,
mas desde que revira e editara a autobiografia dum jogador de futebol
reformado, que mal sabia ler, e fez dela um livro bastante agradável que teve um
sucesso surpreendente de vendas, a editora passou a dar-lhe outros trabalhos.
Só que a fama espalha-se e como ela nunca foi de deixar escapar oportunidades, começou a aceitar textos de novos autores que a contactavam diretamente. Conforme o trabalho necessário, pega no texto
“cru”, analisa-o, estabelece o seu preço, e depois da aceitação do cliente, depois dá-lhe a volta transformando uma ideia engraçada num livro interessante.
Já não conseguia dar conta do recado, por isso ali estava eu. O primeiro que ela me passou foi muito fácil, era um livro que três
irmãos escreveram para homenagear as bodas de ouro dos pais. Foi um teste. Ela
confiava em mim, porque me conhecia e sabia que eu partilhava das suas visões e
o resultado final era bastante similar ao que ela fazia. Ela gostou, os
clientes adoraram e dos duzentos e cinquenta euros que ela cobrava, cinquenta foram
para ela e o restante para mim.
Maravilha! Trabalhava a partir de casa, fazia o que
gostava e ainda era paga. Muito bem paga por sinal!
A coisa foi correndo bem e no primeiro mês consegui
ganhar mais do que ganhava no meu emprego. E então ela propôs-me um trabalho
maior: um romance!
Aceitei o trabalho e recebi o original. Era a história
real de Rosa, uma mulher que se redescobriu numa viagem interior pelo que mais a
aquecia na cama.
Ela tinha-se apaixonado à primeira vista por um homem
misterioso que vira uma só vez. Não lhe sabia sequer o nome, mas a partir desse
dia nunca mais o conseguiu tirar da cabeça.
Percebeu que só um homem como ele a faria
chegar aos píncaros do prazer, e não o banana do marido; separou-se e passou a,
masturbando-se, viver as mais tórridas noites de prazer imaginando e relatando fantasias como eu nunca sequer imaginara.
Ao passo que fui lendo, imaginava-me no seu lugar, e fui
ficando terrivelmente excitada. Vantagem de trabalhar em casa, estava com uma
t-shirt velha do meu marido que em mim parece um vestido curtinho, e
cuequinhas.
Eu sempre gostei de ler literatura erótica, mas poucas vezes lera algo assim num romance. Era o mesmo erotismo forte de alguns, infelizmente
poucos, contos eróticos que só se encontram online
em sites especializados.
Fiquei em fogo! Não conseguia evitar, enquanto lia,
sentir-me transportada àquela quinta no Ribatejo. A forma como ela punha em palavras as suas fantasias com aquele desconhecido, que
como em toda a fantasia, era o mais previsível Deus do sexo, conseguia fazer-me viver tudo o que ele vivera.
Já com a calcinha ensopada da minha excitação, não
consegui evitar: puxei-a para baixo, até meio das minha coxas, e lentamente a
princípio, comecei a tocar-me levemente enquanto, de olhos pegados no monitor
sentia cada toque como o que lhe acontecia a ela na sua história.
Vim-me rapidamente, e pensava que, uma vez resolvido o assunto, podia voltar ao
trabalho.
Erro meu!
Erro meu!
Aquele rápido e intenso orgasmo, em vez de me acalmar,
ainda me incendiou mais!
Durante o resto do dia, por mais que me tentasse
concentrar no que tinha a fazer, não consegui! Era simplesmente forte demais.
Parecia que aquela mulher escrevera o livro dentro da minha cabeça, e cada
situação que ela relatava era uma fantasia minha que eu desconhecia. Um dos
personagens do romance era uma mulher que se vira envolvida pelo marido numa
relação de cuckolding e a partir daí fiquei completamente descontrolada.
Fechava os olhos e via-me debaixo dum outro homem
enquanto fitava os olhos do meu marido, que deslumbrado via cada contração dos
músculos do meu amante quando este se contorcia entre as minhas pernas abertas
para o receber, quando ele se enterrava todo em mim. Sentia-me assada, dorida
de tanto me esfregar, mas nada me satisfazia. Fui ao quarto, e da prateleira de
cima do roupeiro, retirei a mala dos brinquedos que há muito não era
desarrumada. Abri-a sobre a cama e salivei quando vi todos aqueles caralhos ali
disponíveis, prontos e todos para mim.
Lembrei-me como o meu marido ficava alucinado quando
os usava em mim. O seu preferido era um bem gordo, deliciosamente macio ao
toque e comprido o suficiente para incomodar quando ele mo enfiava até ao saco
se encostar nas bordas do meu rabo. Nem pensei duas vezes: seria esse mesmo o
meu escolhido para a que foi a mais fantástica tarde de sexo solitário em que eu alguma
vez me vira.
A ideia de outro homem a comer-me repetida e
continuamente por horas e horas a fio, sem parar de se esporrar como um cavalo
dentro de mim, deixava-me tresloucada, e eu imaginava a cara do meu maridinho,
de boca seca e olhos bem abertos a ver tudo aquilo enquanto se fosse tocando e
me desse o seu pinto à boca para me deixar saborear o seu leite morno de cada
vez que se viesse, louco de tesão por ver a sua mulherzinha a ser assim
surrada sem parar por outro homem.
De cada vez que, de olhos fechados, via os seus olhos
sentia-me iniciar nova espiral a pique que me levava à lua e para lá dela.
Acabei por adormecer exausta.
Acordei com o chamado do meu marido quando entrou em
casa. Peguei no dildo e enfiei-o debaixo da almofada mesmo a tempo de ele não o
ver. Por sorte tinha deixado a mala do outro lado da cama. Ele ficou preocupado
comigo, e eu não lhe consegui dizer o que se passara. Menti-lhe que tivera uma
ligeira dor de cabeça mas que passara.
Senti-me mal por não lhe confessar. Não podia. Não consegui; era tão
proibido, tão desviado da nossa relação de amor sincero, que tive receio que ele
pudesse entender mal e ficasse magoado comigo.
Mas ao mesmo tempo queria viver aquilo. Queria
partilhar aquilo com ele. Agora percebia o que o levara, uns anos antes a
comprar todos aqueles pintos falsos mas todos eles bem realistas, e a querer
que eu os usasse para ter prazer e dar-lhe a ele o prazer de ver.
Teria que pensar bem em tudo aquilo, e meditar na melhor abordagem para o que, tinha a certeza, seriam momentos de inesquecível prazer para nós dois, e no final traduzir-se-ia num aumentado pela cumplicidade, aprofundado amor.
Teria que pensar bem em tudo aquilo, e meditar na melhor abordagem para o que, tinha a certeza, seriam momentos de inesquecível prazer para nós dois, e no final traduzir-se-ia num aumentado pela cumplicidade, aprofundado amor.
Quando nos deitámos, e por mais que o meu marido estivesse cansado, eu simplesmente não quis saber.
“Amorzinho, eu quero-te!”
“Mas o que te deu hoje?”
“Nada. Estou excitada, deve ser por causa do texto que
estou a analisar… toca-me!" Peguei-lhe na mão e levei-a até entre as minhas pernas, "olha como eu estou!”
Quando ele me sentiu alagada nos meus fluídos espessos
e viscosos, fruto da minha tarde de suruba solitária, ficou doido. Quis ver mais de
perto o que sentiu com os dedos. Desceu por dentro da cama, e eu – sabendo
aonde ele ia, facilitei – abrindo bem as pernas. Quando aproximou a cara
da minha gruta, acomodou-se melhor como se me dissesse que não tinha intenção
de ir a lado nenhum nos tempos mais próximos.
Primeiro cheirou-me, inspirando fundo o meu aroma de
fêmea no cio. E eu imaginava como a mulher do texto que eu estava a trabalhar
não se devia sentir ao dar a sua intimidade sagrada pelos votos conjugais,
completamente arrombada e a vazar por fora de esporra farta e espessa do homem
com que tinha passado a tarde num hotel de segunda categoria.
“Dulce?!”
“Sim amor?”
“Que se passa contigo? Que andaste a fazer esta
tarde?”
“Porque perguntas?”
“Porque estás toda alargada e vermelha… como se
tivesses passado a tarde inteira a foder…”
A voz dele tremeu-lhe quando o disse, mas ter tocado
com a ponta da língua ao de leve no meu botãozinho completamente eriçado,
assegurou-me de que não estava zangado. Arrisquei e desafiei-o.
“É mesmo amorzinho? E se tivesse? Se eu te dissesse
que sim, que estive a tarde toda a transar, ficarias zangado?”
Aí fiquei realmente assustada. Ele parou e ficou a
olhar para mim, tentando perceber o que se estava a passar. Puxei-o para mim, os seus olhos deitavam fogo; mas o lume que lhe atiçava o seu mastro era ainda
mais forte. Tentou evitar que eu lho sentisse, mas não conseguiu. Envolvi-o
entre as minhas coxas e acomodei-me debaixo dele de modo a deixá-lo bem
apontado à minha gruta dos prazeres que estava mais que pronta a recebê-lo.
Quando assim o senti, empurrei-me contra o seu corpo e empalei-me toda até que
só o seu saco ficou de fora, esparramado contra o meu ânus.
Ele fodeu-me com raiva. Veio com tudo o que tinha para
dar. Pela sua cara parecia que estava rachar um tronco, enquanto me tentava
rachar ao meio. Tentou a todo o custo tirar-me o prazer da cara que eu tinha por estar a ser assim tão bem metida. Ferrou-me os dentes no pescoço e
fez-me vir com um berro que se deve ter ouvido ao fundo da rua. Aposto que
todos os vizinhos ouviram.
Mas eu queria mais. Queria que ele se viesse com todo
aquele tesão, como eu nunca lhe tinha sentido. Após ter-me vindo, fiquei ainda
mais excitada. E aticei-o.
“Ai amor, assim matas-me de prazer. Todo esse tesão é
porquê?” como ele não respondeu, continuei. “É por aquilo que te disse? É pela
ideia de que eu possa ter estado com outro? Outro homem que passasse a tarde a
comer-me? À tua mulherzinha? É?”
Se não tinha respondido, aí é que não podia ter
respondido mesmo; com uma última estocada que o levou mais fundo no meu corpo
onde nunca fora antes, enterrou-se todo e parou: veio-se numa, e noutra, e
noutra e ainda numa outra esporradela, na que foi de longe a mais violenta
ejaculação que lhe senti desde que estávamos juntos. Deve ter-se vindo meio litro de esporra
dentro de mim.
Quando acalmou, tentou sair de mim, mas não deixei.
Sussurrei-lhe ao ouvido:
“Eu amo-te. Nunca estaria com outro homem, e tu
sabe-lo bem.”
“Eu também te amo…”
“Meu Deus! Tu ficaste louco, foi por aquilo que eu te
disse?”
“N..não, não sei… talvez. Foi forte! Imaginar outro
homem contigo magoou-me. Foi como um ferro em brasa dentro da minha mente.”
“Mas deixou-te assim como te deixou…”
“Mas onde foste buscar essa ideia?”
“É do texto que eu estou a trabalhar. Lê-lo deixou-me
assim.”
Contei-lhe por alto a história e ele ficou curioso. Perguntou-me
se eu estava assim tão alargada só da excitação e a aflição tirou-me o ar do
peito; eu tinha que lhe contar.
“Não. Eu estava tão excitada que me masturbei; mas
ainda foi pior. Eu precisava, precisava demais de me sentir bem comida, e fui buscar
a nossa mala. Eu não estava em mim, de tão excitada que aquela história me
deixou.”
“A mala? Mas tu nunca achaste grande graça aos
brinquedos…”
“Nunca. E nunca pensei vir a fazê-lo. Mas como a Rosa diz
no seu livro, nunca se deve dizer nunca…”
“E como foi? Qual usaste?”
“O grande… aquele que me deixava desconfortável, mas
que hoje, como eu estava foi o melhor que tu podias ter comprado para mim.”
Aí ele já estava pronto para me devastar novamente.
Veio para cima de mim, e preparava-se para me penetrar quando eu o fiz parar.
Pedi-lhe para me dar prazer com a boca; eu queria sentir a sua língua na minha
vagina a transbordar de esporra. Ele engoliu em seco, mas mostrou-me como um
homem faz o que um homem tem que fazer. Desceu por mim e recomeçou o que tinha deixado
a meio antes de me ter arruinado as bordas da minha xavasca minutos antes.
Minha Nossa Senhora Dos Céus e dos Altares!
A sua fome assegurou-me de que aquilo era uma fantasia
sua também. Não mo disse, mas também não precisou. Eu conhecia-o bem demais
para saber que aquele caminho nos levaria por viagens intermináveis de prazer e
tesão. Fez-me vir um sem número de vezes antes de, por fim, se ter arrastado
para onde estava quando lhe pedi aquela incursão a sul: entre as minha pernas,
e onde se enterrou – louco pela sensação que eu lhe proporcionei de tão aberta
e esporrada que estava.
A sua boca, lábios e cara estavam cobertos dos nossos sumos de prazer, e ele partilhou-os comigo. Viemo-nos os dois ao mesmo tempo, e ficámos a olhar um para o outro; a ver o quanto aquilo nos tinha aproximado – ainda mais do que sempre fomos – e dado a certeza de que o nosso amor é à prova de tudo!
A sua boca, lábios e cara estavam cobertos dos nossos sumos de prazer, e ele partilhou-os comigo. Viemo-nos os dois ao mesmo tempo, e ficámos a olhar um para o outro; a ver o quanto aquilo nos tinha aproximado – ainda mais do que sempre fomos – e dado a certeza de que o nosso amor é à prova de tudo!
No dia seguinte, pela primeira vez em muito tempo, acordei
depois da hora. Foi um acordar lento, sentia-me dorida, mas a cada vez que me
contraía e sentia toada a esporra com que o meu marido me tinha enchido na
noite anterior, sentia um prazer indescritível.
Estava deitada de barriga para baixo, e deslizei uma
mão entre mim e a cama até que me senti. Não admirava que me sentisse dorida,
senti-me toda escachada, inchada de tanto ter dado nas últimas vinte e quatro
horas. Estava toda encharcada e lembrei-me do que a língua do meu marido me
tinha feito sentir.
Piorou!
Toquei-me com os meus dedos imaginando que era ele. Novamente,
imagens do que imaginara ao ler o texto da Rosa me assaltaram brutalmente. Eu estava
a ficar doida. Eu queria aquilo, aquele sabor proibido, e queria muito!
Não aguentei mais e estiquei-me até à mesinha de
cabeceira. Tinha lá enfiado o dildo na noite anterior e de olhos fechados,
senti-o na minha mão. Nem de perto os meus dedos o conseguiam abraçar. Imaginei como
o meu marido me teria sentido inevitavelmente alargada depois duma tarde
inteira com aquele bacamarte enterrado até aos tomates que lhe serviam de base.
Trouxe-o até à boca e lambi-o. Ainda sabia a mim, aquele sabor inconfundível a
cona, e fez-me suspirar de desejo.
Sempre sem abrir os olhos, coloquei uma almofada
debaixo de mim ficando com o rabo bem espetado no ar. Queria senti-lo assim a
escorregar lentamente entre os meus lábios gulosos. Aproveitado o néctar de
macho que ainda tinha dentro de mim, que eu sentira ser injetado direto dos
colhões do meu maridinho, apontei-o e fi-lo entrar em mim até que a cabeçorra
me fez suspirar quando me empurrou o cérvix, e forcei-o ainda mais um pouco: eu
queria sentir o contacto dos tomates pesados da base a assegurar-me que o tinha
todo metido, quando me tocaram nas bordas bem esticadas à volta daquele quilo e
meio de prazer carnal – ainda que fosse a fingir!
Etiquetas:
cuckolding,
fantasias
Local:
Entroncamento, Portugal
3...2...1... partida, largada fugida!
Olá a todos, este é o meu blog.
Sejam todos bem vindos, principalmente os que procuram por tórridos e estimulantes contos eróticos!
Na medida do possível, irei aqui colocando contos, experiências, fantasias e de tudo um pouco que reflita a minha visão do erotismo.
Obrigada!
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