"Sempre encontrei no sexo uma grande virtude consoladora, e nada adoça mais as minhas aflições vindas dos meus problemas do que sentir que uma pessoa amável se interessa por ele." Jean Jacques Rousseau
quarta-feira, 11 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
Sim, Mestre! (3ª parte - final) por Rosa Mateus
Olá a todos, respondendo a mais um desafio da Dulce, e como se eu não tivesse mais nada que fazer - não é Dulce? - aqui vos deixo a forma como eu terminaria o "Sim, Mestre!"
Sim, Mestre!
Por Rosa S. Mateus
O mestre Mestre, sem sequer saber bem de que terra
era, com tal intensidade aquele orgasmo lhe sugara, juntamente com o seu
vermute, todo o sangue que normalmente irriga o cérebro para a sua outra cabeça
de homem, tentava a custo controlar as tremuras que lhe assomavam às pernas.
Tentou acertar a respiração, primeiro com a sua
necessidade de ar, e depois com o bater do coração; como era possível nunca
tampouco ter chegado perto dum nível de prazer como acabara de atingir, que só
uma palavra conseguia dar uma pálida ideia: magnificente!
O olhar da Filipa, doce como uma taça de mel,
procurava-lhe uma reação: um qualquer sinal de que o agradara condignamente;
algo que a sossegasse de que a sua prestação lhe garantiria uma recompensa
extra.
Aquelas golfadas do que ele tinha de mais seu, por
si só, eram já garante duma eterna e arrasadora memória daquela noite; da sua
primeira vez que sentira verdadeiramente capaz de deixar um homem de cabeça à
roda com o prazer que lhe proporcionara.
Como o seu agora confirmado poder como fêmea, era
tão incontestável, que conseguira derrear o mais enigmático, magnético, exigente,
másculo e subjugador exemplar varonil com quem alguma vez se tinha cruzado em
toda a sua vida.
Nada tivera que ver com amor; nada no Mestre a
fizera sentir um desejo de ternura ou de carinho ou de qualquer outro dos
inúmeros aspetos duma normal relação entre um homem e uma mulher; nada!
Ou não?
Ou seria aquele afinal um dos aspetos numa relação
entre um homem e uma mulher, que, mais do que normal era imprescindível?
Perdeu-se nesse enigma, enquanto processava tudo o que via e sentia ali assim
de joelhos com aquele intenso sabor a interdito na língua e no espírito,
enquanto olhava de baixo para aquele, assim ainda mais, imponente e arrebatador
homem que não era o seu mas que a fizera dele como nunca o marido conseguira.
Ter saciado a sua sede de homem, despertou-lhe a
fome de virilidade; e a forma como se sentiu salivar da sua outra boca – a boca
do corpo – de mulher, impeliu-a a urgir um outro passo na direção que esperava
que o mestre Mestre tomasse: a duma conclusão, duma finalização da sua posse, e
ulterior prazer supremo que lhe daria no percurso que terminaria quando e só
quando ele bem entendesse. Soube, como qualquer bombeiro saberia se se
deparasse com o fogo do inferno para apagar, pelas brasas com que ele a olhava
que demoraria no mínimo bastante tempo; muito mais tempo do que a permitiria
chegar a tempo antes do marido.
Esse pensamento trouxe-lhe paz! Finalmente sentiu
toda aquela angústia, de sempre – de não perceber porque procurava ele noutras
o que procurava – ser apaziguada por uma tranquilizante certeza: não, não era
um problema dela; não era ela que não tinha o que devia ter para agradar a um
homem; não, não era dalguma parte de si, que a sua demasiadamente balizada
educação cristã e permanente excisão mental em que as matriarcas
manipuladoramente a haviam deixado crescer, que lhe faltava!
Não era nela que o problema devia ser procurado, mas
sim no marido! E paz maior encontrou quando o imaginou a ele em todas aquelas
eternidades que ela passara de pernas enroladas sob si mesma no canto do sofá,
encontrando no intenso aperto duma almofada o único meio de a confortar da sua
frustração pelo que o marido tardava em não aparecer, vindo de sabia-se lá
donde; uma paz que era a mesma paz que ele devia sentir se nela pensasse e
contudo continuasse a sua desprovida de escrúpulos e egoísta busca de prazer!
Prazer, que agora era a vez dela de o ter!
Por anos e anos a fio depositara as suas poupanças
numa conta onde ajuntara uma maquia milionária e agora era chegada a hora do
resgate! Queria levantar tudo o que era seu por direito, e queria-o com todos
os juros e dividendos, que era para encerrar a conta definitivamente.
Encontrara um outro destino onde elas seriam mais valorizadas; e seria às mãos
daquele Mestre que ela confiaria aquele capital, para que ele o rentabilizasse
e lhe soubesse devolver sob a forma duma renda vitalícia de prazer ilimitado.
O Luís puxou-a para que se levantasse, ela fê-lo
colada a ele. Ele segurava ainda a gravata que fora venda e ela juntou as mãos
para lha tirar.
Deixou-a, pensou que ela não quisesse mais adentrar
aquela obscura floresta de desejos submissos, mas a forma como ela, continuou a
segurar a gravata e, depois de rodar sobre si mesma as voltou novamente a
juntar atrás das costas, fê-lo sentir um soco na barriga: ela queria que ele
lhe amarrasse as mãos com a gravata venda, agora algema.
Ele, antes de a manietar, como se para se assegurar
quão disposta e segura estava do que lhe pedia, agarrou-a pelo cabelo, desta
vez com força, rangeu os dentes quando pressentiu o seu instinto de lidador
deixar claro que se fosse solto, nenhum deles esperasse maciezas e
comedimentos, e puxou-os retesando o braço como D. Fuas há de ter feito quando
à beira do abismo se apercebeu do que o esperava um passo à frente; e como a
montada se soergueu sobre as patas traseiras, também ela se dobrou toda àquele
puxo.
Ela esperava que ele o fizesse, não com tanta força,
nem que lhe provocasse tanta dor, e gemeu o prazer da surpresa. E o mestre que
o Mestre, até ali ainda refreara, tomou por fim conta do que ainda mal
começara. Amarrou-lhe os pulsos com força, numa sucessão de nós cegos e
apertados que fizeram a Filipa tremer pela renovada e intensificada vulnerabilidade
e garantiram ao Mestre que nunca na vida aqueles nós seriam desfeitos – quer
figurada, quer literalmente – e que para a soltar só a talho de faca!
Ela sentiu-o a guiá-la para o centro do quarto; com
a ponta do pé tocou num painel da parede que se abriu com a pressão e seguiu o
puxo da mola que o fazia girar cento e oitenta graus revelando o espelho do
chão ao teto que escondia da parte de trás.
Entre a dor contínua que o puxo dos cabelos a
impedia de parar de sentir, e o impacto da visão da sua subjugação à mercê
daquele homem enorme, soltou um outro gemido – mais forte, mais dorido – e
esperou.
Ele não a chegou a soltar, mas aliviou um pouco a
força. Não por condescender ao seu lamento, mas para preparar ainda mais; como
um animal feroz que prova sangue fica impreterivelmente aficionado ao seu
sabor, também o Mestre ficaria para sempre adicto àquele inimitável e
perigosamente viciante som de submissão. Puxou o cadeirão, pesado e com braços,
de frente do toucador e colocou-o rudemente em frente dela, e mais uma vez
retomando toda a garra nas crinas da Filipa, dobrou-a sobre as costas do tal.
Sem nunca a soltar, separou-lhe as pernas com os pés até que ela dividisse o
seu peso entre os dois dela e a barriga. Ao mesmo tempo que a obrigou a olhá-lo
no reflexo do espelho; como um quente em manteiga mole, enterrou-lhe o seu
punhal de prazer até ao cabo, não lhe dando sequer tempo de respirar novamente
antes de ainda mais fundo lho reafirmar quando um ainda mais forte puxão pelos
cabelos a fez sentir o esplendor duma penetração lascivamente dolorosa.
A Filipa percebeu enfim o que estabilizaria o ímpeto
matador dele num perfeito equilíbrio com o seu desejo de às suas mãos entregara
a vida numa morte de prazer; a tão deliciosa morte de prazer inerente à sublimação
do êxtase sexual!
Não durou muito! Nem ela própria acreditou quão
rápida e enormemente aquele novo responsável pelas suas economias de
sensualidade a reembolsaria da primeira tranche; de tal modo se surpreendeu que
receou que tivesse sido uma devolução total do depósito inicial que ela lhe
confiara – foi numa e duma só vez, o mesmo prazer que, se somado, sentira em
toda a sua vida! Pensou que não seria possível, depois daquilo, ele alguma vez
lhe voltar a conseguir assegurar aquele manancial que ela fantasiara.
Justificado erro e inequívoco sinal da sua
inexperiência; como minutos depois reconheceria quando nova entrega ele lhe
devolveu quando em gritos e suplicas sem nexo para que ele por favor, por Deus,
por tudo e pelas suas duas mães: a que era Santa e a valente cabra, porque
àquilo a conseguira vedar toda a amostra de vida até aí vivida e que só agora
passaria a viver efetivamente.
Mestre, que mestrado se julgava em levar mulheres ao
prazer, soube então que até àquele dia nunca fora mais que um mero aprendiz;
nunca soubera nem nunca vira sequer o que era afinal uma mulher a ter prazer –
nunca!
Queria continuar indefinidamente. Queria perpetuar
aquele momento de partilha entre dois seres que conheciam por fim um outro
patamar – não, patamar é pouco! – uma nova dimensão de prazer; mas não
conseguiu!
A mensagem subliminar que a Filipa, quer através dos
gritos e gemidos, quer através das contrações com a sua feminilidade lhe
massajaram a lâmina, reteve-a e entendeu-a o seu corpo; era uma ordem para que
através da sua nova explosão, lhe proporcionasse a dela – uma que queria plena
e arrasadora, como só sentindo o depor das armas de um homem, uma mulher
consegue conhecer.
A recente e fresca recordação da surpresa dos jatos
na sua boca, deixaram-na inconscientemente alerta e sensível a todas as futuras
manifestações da mesma sensação, fosse onde fosse do seu corpo, por isso,
quando nova oportunidade pressentiu de a mesma sensação reviver, toda a sua
alma se lhe dedicou: não imaginava – nada, alguma vez, a preparara para que o
fizesse – onde, a mesma sensação, na sua mais sua intimidade a levaria! Parte
do cérebro parou-lhe, e a outra parte ficou a bater mal. O êxtase foi forte
demais para que ela conseguisse manter a consciência; foi-se numa alternância
de gemidos, gritos que pareciam lamentos, e de outros que lembravam os mantras
do yoga, só que entoados num registo
exageradamente alto.
No meio de toda aquela corrente de estímulos, um
pensamento assomou-lhe a mente: que soberba justiça seria, se o marido a visse
naquele preciso e exato momento, em que bem no fundo do seu útero se sentia a
receber tamanha descarga viril de um homem que a fazia sua; a imagem daqueles
olhos vazios e sem brilho a olhá-la incrédulos, acender-se-iam seguramente
naquela merecida condenação por todos os tormentos e humilhações a que a
votara.
Tal imagem acabou com o resto dela que ainda
funcionava. Veio-se numa sucessão de orgasmos interminável que se estendeu por
uns eternos dois minutos, ou mais ainda, após o que perdeu completamente a –
pouca – consciência que ainda lhe subsistia.
Quando a sentiu imóvel, Mestre descravou-se
lentamente do corpo da mulher que jazia inerte; a Filipa, à exceção das costas
que conforme respirava, contraiam e expandiam, aparentava ter deixado o, este,
mundo.
No gozo que ia esmorecendo, nem um som fazia.
Porque só perdendo algo se lhe sente a falta, pela
morte que experienciara, a Filipa soube por fim que vivia – soube porque se
sentiu voltar à vida, e soube que morrera porque a vira a ir-se quando o sentiu
esvair-se. Um mesmo e único momento da mais jubilante simbiose: esvaíra-se ele,
enchera-se ela; o gozo dela, que o fizera gozar a ele, originou por sua vez o
dela – o derradeiro e incomparavelmente superior – por ser mulher!
Que nisto de prazeres e gozos, por grandioso que o
de um homem seja, comparado ao que uma mulher sente nunca passa duma pequena
ideia comparada com uma genial revelação! E é simples de entender que assim
seja: uma mulher, se bem ligada e acesa, torna-se toda ela dos pés à cabeça
“zona erógena” ou ponto G, ambas risíveis teorias seguramente lançadas por
algum iluminado (homem, só pode!) dalguma vez que descobriu o que era possível
despoletar quando se tocava uma mulher – mas esqueceu-se foi de ver o que
acontece quando se toca toda, no corpo e na mente!
A Filipa, feita boneca de farrapos, sentiu-se erguida
pelos ombros. O mestre Mestre, agora simplesmente Luís, amparou-a e depô-la
suavemente na cama, deitada de lado.
Foi buscar à gaveta do toucador uma tesoura com que
cumpriu a sentença a que condenara a gravata, e ajudou-a a rodar-se para que
ficasse deitada de costas.
Passou-lhe um dedo desde a ponta do dedo grande do
pé, lentamente, pelo corpo todo, circundou-lhe o umbigo perfeito e veio a
terminar, depois de se demorar um pouco naquele ponto que fez o outro do pátio
das cantigas fazer um brilharete no exame de medicina, de longe o mais perfeito
que ele alguma vez vira, veio a terminar na sua face agora menos ruborizada.
Ela abriu os olhos para, pela primeira vez o ver sob
uma irresistível vontade de lhe dar e sentir um carinho.
“Beija-me.”
O Mestre, agora já não - ou pelo menos não por agora
– mestre baixou-se e parou a centímetros da boca dela. A certeza de que a sua
vida mudara naquela noite fê-lo deter-se.
“O que é que aconteceu aqui, dizes-me?”
“Não sei, diz-me tu; afinal quem é o mestre?”
Ele parou de a olhar nos olhos e olhou-a para lá
deles. Perdeu-se na mente dela e soube que, embora fosse infantilmente cedo
demais para o sentir, também ela como ele se tinha apaixonado.
“Não há ninguém que queiras avisar?”
“Não.”
FIM
Golegã, 10 de junho de 2014
Rosa Mateus
....................................................................................................................................................
E pronto, é isto; como alguém disse um dia, Se queres ser melhor, dá-te com os melhores...
Palavras para quê? Percebem agora o que eu digo quando falo como falo dela? Depois disto vou-me ali enrolar debaixo duma pedra e deixar-me morrer...
Calma, estou a brincar... que isto é tudo uma questão de tempo, de crer e de insistir!
Obrigada amiga, és a maior, m'lhere!
domingo, 8 de junho de 2014
Fantasias à la carte!
Olá a todos, devido à calorosa receção dos meus contos, que pelos vistos até nem são nada maus, decidi seguir a sugestão de um leitor: criar uma secção onde quem tenha uma fantasia, ma relate para que eu escreva um conto à volta dela!
Assim uma coisa do tipo "A Ilha da Fantasia", mas de pobre!
Fico a aguardar!
dulce.torini@gmail.com
Assim uma coisa do tipo "A Ilha da Fantasia", mas de pobre!
Fico a aguardar!
dulce.torini@gmail.com
sábado, 7 de junho de 2014
Sim Mestre! (2ª Parte)
A Filipa sentia enfim a sua verdadeira essência vir
ao de cima, sentia-a a romper todas as capas e carapaças que os anos passados
como estudante interna num colégio de freiras, a insistente pressão da mãe e da
avó para se tornar uma menina bem comportada, haviam criado; todas as anulações
que se tinha imposto quando sentia uma pontinha de desejo fora daquilo a que
uma senhora devia sucumbir.
E rompia com toda a fúria duma fera enjaulada que
por fim apanhava a porta destrancada; queria mais, queria tudo, queria sentir o
que quer que levasse as putas a fazerem o que fazem. Queria sentir o que quer
que a fizesse sentir, ser um pedaço de carne às mãos e mente perversamente
obscenas dum homem que a usasse para o prazer, e rezou para que ele não lhe
fizesse o pior que podia fazer – retrair-se de alguma forma!
Para isso já lhe bastava o banana do marido, que
desde que tinham começado a sair lhe pedia licença para a beijar, pois não lhe
queria estragar a maquilhagem, ou estragar o batom que insistia que ela
mantivesse permanentemente impecável. Queque com a mania de que só porque era
de Manique, era gente de bem de Cascais!
Os estalos do cinto tinham-na feito vibrar, receou
que ele a açoitasse.
Não o fez, e isso frustrou-a. Pelos vistos não se
estava a portar mal o suficiente. Parou de lhe chupar os dedos.
Foi mais longe, puxou as mangas do quimono de modo a
fazê-lo descobrir-lhe os ombros, deixando-o prestes a cair e a deixá-la com o
peito todo a nu. O Mestre; o seu mestre, engoliu em seco com aquela assunção
dela à sua condição.
Ela estava verdadeiramente a gostar daquele jogo e
estava nele, não como um jogo como até aí todas as mulheres com quem ele tinha
tido alguma coisa do género tinham estado, mas como uma forma de se entregar
plena.
A Filipa sentia-lhe os olhos a salivar sobre as mamas,
ainda sentia nelas o aperto desmedido da sua mão, e subitamente sentiu a falta
que os dedos dele lhe faziam a encher-lhe a boca. Lambeu os lábios como um gato
faz quando atento vê o dono a preparar peixe cru.
“Mestre… faz-me tua.”
O coração batia-lhe como um martelo pilão, e
ameaçava sair-lhe boca fora! Que será que aquilo lhe provocaria? E porque é que
ele não reagia?
Mestre não reagia porque viu que ela queria que ele
reagisse; simples! Sem o mínimo som, recuou um passo e admirou-a: ela era linda!
Era a definição de perfeição feminina, e ali estava ela de joelhos, boca
sensualmente entreaberta, nitidamente à espera de nela receber alguma coisa, e
o seu olhar chegava a atropelar-se na constante subida e descida pelo seu
corpo. Tentou estabelecer uma ordem de atuação, e lutou no dilema de não saber
por onde começar.
Chegou-se novamente a ela, para a deixar ouvir o
quase impercetível desapertar do botão das calças, e ao lento correr do fecho
ela reagiu fechando a boca para a humedecer do que a antecipação lha secara. Viu-a
contrair o pescoço quando foi ele a engolir em seco; foi decisivo para ele
fazer o que fez. Deixou as calças caírem, de modo a que lhe tocassem nas pernas
dela; saiu delas, e com um pontapé tirou-as do caminho.
Rapidamente despiu os boxers e o seu pénis saudou a libertação ostentando orgulhosamente
o seu desafio à gravidade. Tocou-lhe levemente a bochecha com um dedo.
A Filipa percebeu perfeitamente o que sempre ouvira:
na falta de um dos sentidos, todos os outros se aguçam para compensar a lacuna
sensorial. Embora vendada, ela “viu-o” despir as calças e depois a roupa
interior. O cheiro de macho dele sobressaia ao Armani Code que lhe tinha desafiado a concentração desde que ele a
cumprimentara ao recebê-la para a reunião, e as feromonas entraram-lhe violentamente
pelo cérebro, agregadas àquele odor almíscar inconfundível de homem excitado, e
refletiram-se dois segundos depois na nova enxurrada que sentiu nascer-lhe
entre os lábios agora floridos pela profunda excitação que lhos inchava de
sangue e a deixava ansiosamente expectante.
Queria que ele lhe fizesse alguma coisa. Esperava que
ele a tocasse sequer, e pressentiu o toque na cara do que se convenceu que
fosse o seu pénis. Quando ele lho roçou, estremeceu novamente; ele
esfregava-lhe obscena e deliciosamente o caralho teso na cara. Gostou; gostou
muito. Quis mais e chegou-lhe a cara para o melhor sentir.
Ele sorriu quando a viu procurar acentuar o toque na
cara, nem acreditou quando aquela ríspida e nada permeável a que tipo de
confiança fosse advogada, dona dum sex
appeal de fazer tombar o mais forte Golias com um simples olhar lançado detrás
daqueles óculos enormes de massa preta, ali estava agora de joelhos a suplicar
por lhe sentir o que podia muito bem ser o seu caralho teso a esfregar-se-lhe na
cara.
Pôs-se mais a jeito, com uma perna de cada lado das
dela, e aproximou-lho da boca enquanto lhe pegou na face.
Ela deixou-se guiar pelo que afinal era a sua mão. A
cara, que sentia já a arder de tão corada, que o sangue a ferver pela excitação
a deixava, pareceu-lhe pegar fogo quando ele lhe pegou terna mas seguramente. E
quando sentiu a outra na parte de trás da cabeça, viu-se como algumas vezes não
pudera evitar de ver em filmes cenas daquelas, em que o homem pegava na cabeça
da mulher e se serviam das bocas delas sem dó nem pejo para se consolarem à
bruta.
Esperou.
Não esperou muito, ele segurou-lhe na cabeça e
tocou-a nos lábios. Recuou um pouco para que ela os lambesse, e voltou logo de
seguida a dar-lhe o que ela pedia tanto como um bezerro esfomeado pede a teta
da mãe. Enfiou-lho lentamente, dando-lhe o tempo suficiente para o ir deixando
acomodar-se. Não acreditou como a língua dela o fez sentir ainda maior, mais
rijo e mais curvado para o céu-da-boca gulosa e sedenta.
A Filipa sentiu o toque da pele distendida da glande
nos lábios e o desejo causou-lhe um instintivo lamber para lhe sentir aquele
sabor salgado que o aroma anunciava, quando o sentiu novamente não lhe deu
sequer a hipótese de voltar a fugir; qui-lo mais e mais e mais ainda dentro da
sua boca.
Lembrou-se de todas as vezes que o marido lhe pedira
para o fazer e do que sentira de todas elas; uma espécie de asco, que agora se
traduzia num incontrolável desejo de saber afinal, o que é que aquilo tinha de
tão excitante. Era qualquer coisa que advinha dessa repulsa, que tornava tão
proibido, tão contra o que toda a vida antes de começar a namorar lhe tinha
sido incutido.
Ele gozava com ela, com o seu pudor! Chamava-lhe
bonequinha doce…
Bonequinha doce; quis que ele a visse agora, de
joelhos entre as pernas dum macho cujo simples sussurrar do nome a fazia tremer
da cabeça aos pés enquanto lhe fazia a mamada do milénio. As mãos dele, por
mais, que a agarrassem com força, na realidade seguiam-lhe cada movimento que
ela fazia mais acertadamente que a mais rodada puta do beco mais chunga do Cais
do Sodré.
O Luís estava no paraíso. O toque, a cadência, a
humidade e a sucção – nem ele próprio alguma vez tinha conseguido aquela
perfeição de estímulos!
O aperto, aquele delicioso aperto – nem demasiadamente
forçado, nem comedidamente frouxo – fazia-o ter a consciência de que todos os
planos que fizera de, só a título de teste, lhe estimular os sentidos e ver a
reação dela tinham sido literalmente eclipsados pela necessidade, a cada
chupadela – sentida por ele e transmitida por ela – de se deixar esvair de toda
a esporra que tântricamente acumulava há já quase três semanas.
Na falta da sua mulher, que estava há já quatro
meses no Japão, muito por causa do crescente desinteresse de parte a parte,
pois facilmente qualquer um deles se meteriam num avião se a vontade de estarem
juntos fosse efetivamente premente, e na falta de qualquer outra que lhe
fizesse sentir que valaria a pena abrir a braguilha, era sozinho que se ia satisfazendo
na sua necessidade masculina. E de há tempos àquela parte, vinha seguindo os
ensinamentos Shiva e Shakti,
praticando o prolongar do prazer, pois dessa forma transformava os constantes
orgasmos num glorioso e estarrecedor quando finalmente sentia que o corpo não o
conseguia prolongar mais.
Ela sentiu-o cada vez mais rijo, e a sua respiração,
cada vez mais pesada; sabia o que aquilo queria dizer. Há muito deixara de lhe
sentir o saco a bater no queixo de cada vez que balouçava naquele vaivém lento
e compassado – cada vez mais acelerado – e isso era um dos sinais de que o fim
estava próximo; os testículos estavam já retraídos nas suas cavidades, onde se
recolhiam quando a ejaculação era verdadeiramente potente. Nunca sentira
nenhuma na boca; queria que ele lhe desse a conhecer, mas receava a sua reação –
temia que na hora se engasgasse, ou que não conseguisse evitar algum acto
reflexo que lhe pudesse provocar algum vómito.
Ele tirou-lho da boca para a deixar responder.
“Assim vou acabar por me vir.”
A resposta dela, afinal, não requeria aquela
interrupção; antes pelo contrário: ela procurou-o às cegas para que ele
cumprisse o que – estava dito, dito estava – ele prometera!
Ele voltou a enfiar-se todo novamente, e desta vez
até lhe encostar os pintelhos ao nariz, o que a fez soltar um suspiro morno que
por pouco não o fez acabar com tudo naquele instante.
A Filipa admirou-se com o toque diferente que sentiu
atrás da cabeça; percebeu o que era quando sentiu a claridade suave do quarto
anunciar-se nas pálpebras, que fechadas a sentiram bem mais forte do que era
realmente. Ele esperou que ela abrisse os olhos, e só depois retomou aquele
ondular da cintura perfeitamente sincronizado no compasso dos movimentos da
cabeça dela.
Ela olhava-a dentro da mais recetiva submissão que
ela lhe assegurava com o seu olhar esverdeado quando se lhe deu.
“Toma-me.”
Ela sentiu o primeiro jato e depois outro
baterem-lhe na bochecha; ele tivera o bom senso de se alinhar meio de lado. Encher-lhe-ia
na mesma a boca toda de esporra sem a fazer passar pelo tormento de se
engasgar, e conforme foram perdendo a pujança e a abundância, deixou-a então
sentir o que era um macho esporrar-se contra o céu-da-boca.
Ela nem uma gota deixou escapar, semicerrara os
olhos aos primeiros impactos, mas depois disso saboreara-lhe cada detalhe do
seu néctar espesso e escaldante de macho.
Quando deixou de lhe sentir o sabor por fim, fez para
o deixar escapar do que já se tornava numa sensação torturante para ele. Sugara-lhe
até a firmeza, e quando o soltou pendia meio arqueado – símbolo derradeiro da
total satisfação.
O olhar dele disse-lhe o que ele não precisou de
falar: ela portara-se exemplarmente, e o mestre estava simplesmente sem
palavras.
(continua)
As minhas primeiras mil visitas!
Obrigada a todos que a partir de:
Portugal
Brasil
França
EUA
Espanha
Alemanha
Russia (?????)
Angola
Venezuela
e por último mas não os últimos: Suíça,
me visitaram nestes primeiros dias de existência do meu blog!
Dulce Torini
Portugal
Brasil
França
EUA
Espanha
Alemanha
Russia (?????)
Angola
Venezuela
e por último mas não os últimos: Suíça,
me visitaram nestes primeiros dias de existência do meu blog!
Dulce Torini
Sim, Mestre!
A noite cumpria por fim, o que prometera desde o
cair. As primeiras gotas, tímidas, ganhavam confiança a cada uma que se vinha
esparramar no para-brisas, e depressa a última velocidade das escovas mal davam
conta do recado.
Com a cabeça ainda naquela sala de reuniões onde
passara pela tortura de tentar ignorar a forma como o Luís a estudava enquanto
a ouvia com os olhos a trespassar-lhe a mente, enquanto ela ia discutindo os
pontos da ordem de trabalhos, a Filipa, que normalmente depositava o máximo
cuidado na condução, nem sequer reparara que era o único carro na faixa da
esquerda da Marginal.
O trânsito àquela hora, já há muito que acalmara no
normal frenesim das sete e tal, mas ainda assim, era mais do que o normal para
uma quarta às nove e dez da noite. Saiu em Carcavelos, e parecia que todos os
carros que andavam na rua naquela noite era para lá que iam. S. Domingos de Rana pareceu-lhe arrepiante sem
vivalma, e a chuva cada vez mais intensa começou a deixá-la de sobreaviso,
puxou o banco um trinco ou dois para a frente e ajustou o cinto, como se um
pressentimento a tivesse alertado para o que estaria para acontecer.
Olhou para a mala no banco do pendura; ainda levou
lá a mão para telefonar ao marido, mas decidiu que não o faria; se nem numa
noite daquelas ele era capaz de lhe ligar para perguntar se ela estava bem, que
se fodesse mais às suas constantes e prioritárias reuniões e jantares de
negócios e trinta mil outras desculpas para raramente chegar a casa antes da
meia noite ou uma da manhã.
Não fosse a merda da hipoteca da casa que ele
insistira em comprar, e ela sabia bem o que faria. Como é que se deixara cair
na esparrela de avançar com todo aquele dinheiro que a avó lhe deixara, é que
ainda estava para perceber.
Porque não ficava bem a um promissor gestor de conta
numa das maiores corretoras da praça! Maniento de merda! Com todos aqueles
planos bem definidos em seguir os degraus que o padrinho lhe ia deixando
alcatifados e que se ele fizesse tudo o que lhe mandavam como devia ser, o
levariam em meia dúzia de anos à cobiçada delegação da Standard & Poor’s,
levou-a a avançar ela com a entrada da casa, e que, quando subisse ele na
pirâmide dos tubarões, repunha-o!
O problema é que o poder subira-lhe à cabeça, e
via-se já como sendo ele o presidente do FMI ou coisa parecida, e o dinheiro,
conforme entrava mais, encarregava-se ele de do fazer sair, naquilo que, como
ele dizia, era uma projeção do sucesso, que por sua vez atraia mais sucesso.
Agarrasse ele no sucesso todo que ia obtendo e o
enfiasse no cú, que era onde ele tanto gostava de apanhar em longas sessões de
BDSM, algemado e de coleira, como um cachorro desobediente. Desenvolvera aquele
fetishe quando se apercebera que era coisa in do pessoal das altas esferas.
Era in, era… cambada de frustrados que passam o dia
a foder desgraçados e à noite procuram dominatrixes e putas da alta roda que os
façam sentir castigados pelo mal comportados que são.
Da primeira vez que ele lho sugeriu, estavam a ver
um filme qualquer em que um magnata qualquer estava de gatas todo nu com um
cinto donde pendia uma cauda do género de cauda de cavalo, e ela o vergastava
com um pingalim enquanto o xingava de tudo quanto era nome feio, e o obrigava a
lamber-lhe as botas de couro negro reluzente, que lhe iam até meio das coxas
roliças de cavalona. O ar de cãozinho dele, quando a olhou, nesse dia ficar-lhe-ia
como uma das mais patéticas recordações dele.
Ela nem quis acreditar que ele achara piada àquilo,
e falaram sobre isso. Deixou-se embarcar no papel, embora por dentro achasse
tudo aquilo tão ridículo, que teve que fazer um esforço para conter o riso.
Foi-lhe sincera, não achava piada nenhuma; quando muito, a ser ela sujeita às
sevícias – desde que moderadas – mas não se conseguia ver no papel dominante.
Simplesmente era feminina demais, e achava que o perfil para aquilo seria
sempre o de uma mulher com alguma tendência para o lesbianismo, mas como não
era entendida na matéria, nem se queria preocupar muito com o assunto, pois se
o fizesse depressa se aperceberia que se estavam a tornar água e azeite.
Com os meses e com a recente promoção, viera a cada
vez mais tardia chegada, as esquivas trocas de roupa, ou às escuras ou na casa
de banho, as nítidas marcas de chibatadas que ela fingiu não reparar; as que
pareceram queimaduras de cera no peito duma outra vez, que até pomada teve que
andar a pôr às escondidas – como se depois de adormecer como uma pedra, ela não
lhe pudesse abrir o pijama sem que ele se desse conta.
Jã não tinham rigorosamente nada há três meses.
Nada!
O casamento já pouco mais era que uma parceria
comercial em que o único objetivo era perderem o mínimo possível do
investimento inicial, para assim que pudessem encerrarem a atividade e
extinguirem a empresa.
Com a cabeça tão imersa em tudo aquilo, claro que
tinha que dar merda!
Ao fundo da reta do aeródromo de Cascais, um lençol
de água que não concordou com os termos com que o Smart negociou a trajetória,
e foi por um triz que não deu uma série de cambalhotas pelo descampado a fora;
limitou-se a depois dum violento safanão quando embateu numa vala mais funda,
ficar meio inclinado para a direta.
Bonito serviço!
Sabendo de antemão que de nada lhe serviria, pôs o
seletor no R e ouviu a lama do pneu a salpicar-lhe a parte de baixo do carrito.
Tinha ficado com uma roda no ar. Afinal não era bonito, era lindo; lindo
serviço!
Fez um breve cálculo, devia ter entrado pela fazenda
adentro uns cinquenta o mais metros. Apanhou a mala que espantalhara todas as
cento e oitenta e quatro coisas diferentes que uma mulher normal trás sempre
dentro da mala, e tentou localizar o bendito iphone no meio da barafunda que
forrava o tapete do pendura. Apanhou-o e assustou-se quando ele lhe tremeu na
mão.
Sentiu-se no meio dum filme do Woody Alen, tão
surreal foi aquele momento. Feita parva, ficou a olhar para o visor; era ela
que estava a ligar!
Olhou em volta, à procura de alguma coisa que a
assegurasse de que não tinha morrido ou coisa parecida, e aquilo fosse uma
espécie de experiência extracorpórea adaptada às novas tecnologias, onde a sua
consciência lhe estivesse para dar nas orelhas pela estupidez de ter entrado
naquela curva àquela velocidade e agora tinha morrido!
Sussurrou quando atendeu.
“Está lá? Está lá alguém? Dr.ª Filipa?”
Sacudiu a cabeça quando ouviu a sua voz; soava-lhe
estranha. Não era mesmo nada parecida com a voz que ela se ouvia quando falava,
mas isso era normal, até custa a acreditar que é a nossa voz quando a ouvimos
gravada, mas aquela era realmente muito estranha. Para já, era uma voz forte,
de homem, e soava estranhamente familiar…
“Dr. Luís??”
“Estou. Dr.ª Filipa? Sim, sou eu, o Luís Mestre,
parece-me que trocámos os telefones…”
Não conseguiu prender um risinho nervoso, que ele, do
outro lado não percebeu. Antes que enlameasse mais o seu já de rastos amor-próprio
do que os guarda-lamas do carro, apressou-se a falar o mais coerentemente para
lhe explicar o que acontecera e porque soltara aquele risinho de teenager esgrouviada.
“Peço desculpa Dr. Luís, acabei de ter um acidente,
e…”
“Como? Um acidente? Mas… a Dr.ª está bem, não está
ferida?”
“Não Dr., felizmente estou bem obrigada. Já do meu
orgulho é que não posso dizer o mesmo; despistei-me e saí da estrada. Só que
estou no meio duma fazenda no meio de nenhures e não se vê vivalma nem passa
carro nenhum. Ia a pegar no telemóvel no exato instante que o Dr. ligou e
apanhei um susto que nem queira saber…”
“Bem, que história! Então e agora? Quer que avise
alguém? Que chame o pronto-socorro? Em que posso ajudá-la? Onde está?”
“Estou ao fundo da reta do aeródromo de Cascais. Não
sei se sabe onde é…”
“Quer que eu avise alguém?”
A forma clara como ele fez a pergunta, fê-la
aperceber de que ignorara a primeira vez que ele perguntou. Sem acreditar no
que a boca verbalizou, e menos ainda no tom seco em que o fez, respondeu.
“Não.”
“Eu vou para aí. Até já.”
Segundos depois viu o visor do telemóvel acender-se
com a aplicação que o localizava. Ele guiar-se-ia pelo sinal de GPS e vinha a
caminho.
Para quê?
Imaginou-o ao volante. Viu-lhe os olhos atentos e as mãos fortes a agarrar seguramente o volante, imaginou o seu carro um daqueles carrões grandes e potentes, dos que passam a voar baixinho na autoestrada e faziam o Smartzinho abanar com a deslocação de ar que provocavam. E sentiu o pensamento travar a fundo com um chiar agudo quando passou à imagem das mãos dele. Não eram mãos de advogado; eram de atleta, eram enormes e os dedos eram esguios, porém fortes.
Imaginou-o ao volante. Viu-lhe os olhos atentos e as mãos fortes a agarrar seguramente o volante, imaginou o seu carro um daqueles carrões grandes e potentes, dos que passam a voar baixinho na autoestrada e faziam o Smartzinho abanar com a deslocação de ar que provocavam. E sentiu o pensamento travar a fundo com um chiar agudo quando passou à imagem das mãos dele. Não eram mãos de advogado; eram de atleta, eram enormes e os dedos eram esguios, porém fortes.
Fechou os olhos, para melhor os ver. Ocorrera-lhe,
durante a reunião de que eram dedos de pianista, e agora ali, na completa
escuridão – desligara o motor e as luzes, não fosse passar alguém conhecido e
inviabilizar aquele tão lesto e empenhado salvamento – levou uma mão ao pescoço
e fez-se uma massagem a si própria imaginando como o toque da dele a faria
tremer até ao centro da sua alma. Experimentou dizer o nome dele baixinho, para
ver como lhe soava em modo intimista e sem o dê érre a apitar à frente
“Luís… Luís Mestre…”
Sentia o paladar daquelas palavras na língua, e
ficou a saboreá-las até que se lembrou do estado deplorável em que se lhe
apresentaria quando chegasse ao ultramar de lama alcatrão! Lembrou-se que tinha
uns ténis na bagageira – pronto, no porta-luvas traseiro – do Smart. Esticou-se
e chegou a um, e estava a tentar pescar o outro, usando a caixa dos óculos como
extensão do braço quando viu uns faróis ao fundo da reta. Lá o conseguiu
arrastar o necessário para o conseguir pegar precariamente entre o indicador e
o médio. Trouxe-o para junto do irmão gémeo, e calçou-os.
Entre dois quilos de lama agarrada a cada um dos
Prada, e o que lhe restava de mínima compostura vir a arruinar-se quando lhe
aparecesse com uns ténis velhos rosa choque que conjugavam com o saia-casaco
escuro e camisa branca como uma bola de espelhos sobre um caixão, que se
lixasse a compostura!
E sempre era ele que lá vinha. Parou na berma,
iluminando-lhe o caminho com os faróis apontados, e ficou a observá-la naquele
equilibrismo delicado no trilho estreito das rodas que o carro fizera ao alisar
as levas e os torrões de terra lavrada.
Felizmente parara de chover, o que lhe preservava um
mínimo de apresentação, ou senão os seus caracóis pareceriam um penteado afro à
anos setenta!
Ele saíra do carro e aguardava-a. Recebeu-lhe a
pasta e o saco do computador; fez umas contas de cabeça ao tempo que passaria
de cu para o ar a limpar aquele carro de mão de lama que ela deixaria no tapete
se entrasse assim para o carro, mas não disse nada. Abriu a porta de trás do
lado dela e pôs lá as tralhas dela, abriu-lhe a porta e nem quis ver o desastre
que se seguiria. Deu a volta ao carro e entrou.
Foi a vez dele se perguntar o que raio se tinha
passado ali, quando em vez do lamaçal, ela tinha aqueles sapatos pretos de
salto alto que o lhe vira quando ela entrara na sala de reuniões, quatro horas
antes, e que lhe desenhavam os gémeos e aqueles dois centímetros de coxa que a
saia deixava adivinhar, como se torneadas no mais sublime dos engenhos, às mãos
do mais exímio torneiro!
Nunca se viria a aperceber que ela, conforme se
sentara no carro com as pernas de fora descalçara os ténis lá fora e enfiara os
Prada que tinha na mala.
“Dr. Luís, que maçada. Não sei como agradecer…”
“Eu sei! Pode começar por deixar de me tratar por
doutor. Trate-me, que eu gosto muito do meu nome, por Mestre!”
Ficou a olhar para a cara dela aparvalhada, que à
espera de o ouvir dizer Luís, já se preparava para retribuir, pedindo-lhe para
a tratar por Filipa. Contudo ele não manteve a seriedade por mais tempo.
“Desculpe-me, mas ter um nome destes e não
aproveitar esta piada seria um desperdício, não acha?”
“Eu sei lá, depois do que tem sido este fim de dia,
eu já nem sei o que pensar nem o que achar nem nada. Mas pronto, apanhou-me!”
Olhou para ele por cima dos óculos, com aquele ar de executiva séria que dava
com os homens todos em malucos e acrescentou. “E como me salvou, acho que isso
me faz, de alguma forma sua escrava, não?”
“De alguma forma, sim!” sacana, não desarmou. “E vai
começar por ter que me acompanhar a jantar; Sushi, gosta, não gosta?”
“Adoro. Onde?”
“No Château Maître!”
“Ahhh… pois claro, pois então!”
Ligou para não sei onde e deixou-me pasmada!
No meio daquela algaraviada que identificou, pelo Konbanwa
ao início e pelo Arigatô final, como japonês. Na escala
de primeira impressão, onde no um se liga para a telepizza, onde ficará o encomendar sushi? Seguramente no dez!
pois… e se o telefonema for todo feito em japonês? Há de ser coisa para
rebentar com qualquer escala!
Levou a mão
ao bolso do casaco, tirou o telemóvel e estendeu-lho. Ela pegou-o e devolveu o
dele.
Nos vinte
minutos que demoraram até casa dele, um apartamento que devia ser preciso um
mapa para não se perderem lá dentro, bem no centro da Lapa, ele ficou a saber o
pouco que precisava dela, e ela o nada que queria saber acerca dele. Já para
não falar que, embora mal, era casada, havia a questão ética da complicada
negociação em que representavam ele um gigante da farmacêutica e ela um importador
que tinha saído lesado com uma remessa que apresentava um defeito no
embalamento.
Em disputa
estava um acordo em que um não queria pagar e o outro não queria deixar de
receber, e o montante era qualquer coisa que rondava um milhão e meio de Euros.
Ela saíra da
reunião com a nítida sensação de estar por cima em termos de posição negocial,
mas agora, os papéis tinham-se invertido drasticamente.
Ele era
casado. A mulher era japonesa, um quadro superior dum dos maiores fabricantes
automóveis nipónicos, e passava uma boa parte do ano no Japão, e o apartamento
era ele próprio um pedaço do país do sol nascente. Sem cerimónias, o Luís
informou-a de que podia usar a casa de banho do quarto de hóspedes.
Despiu-se e entrou no duche. Parecia agir como se debaixo de alguma hipnose, mas não estava. Limitava-se a deixar-se viver momento após momento. nem se deu ao trabalho de trancar a porta da casa de banho, fechou os olhos e imaginou o que faria se ele ali entrasse: nada, não faria rigorosamente nada; se ele ali entrasse seria porque queria vê-la, ou o que quisesse para além disso. E ela deixá-lo-ia. Ela queria sentir o poder da subjugação.
Despiu-se e entrou no duche. Parecia agir como se debaixo de alguma hipnose, mas não estava. Limitava-se a deixar-se viver momento após momento. nem se deu ao trabalho de trancar a porta da casa de banho, fechou os olhos e imaginou o que faria se ele ali entrasse: nada, não faria rigorosamente nada; se ele ali entrasse seria porque queria vê-la, ou o que quisesse para além disso. E ela deixá-lo-ia. Ela queria sentir o poder da subjugação.
Sobre a cama
estava um quimono, e nada mais! Ele nada dissera que fosse para ela vestir, mas
só podia. Tomou um duche rápido, secou o cabelo meio à pressa e ficou com um ar
tremendamente sexy.
O toque do
material sobre a sua pele deixou-a nervosamente sensível. Sabia que a roupa
devia ser da mulher dele, mas uma vez que o mais que certo é que acabaria por
usar o que iria usar do marido, usar o vestido era simplesmente irrisório!
Olhou-se ao
espelho e sentiu-se mais feminina do que alguma vez se sentira fosse com que lingerie fosse!
Ia a sair do
quarto quando ouviu vozes. Entrou na sala e deparou-se com dois empregados
vestidos a rigor, japoneses. A mesa de jantar desaparecera, e no seu lugar
estava uma baixinha e estreita com umas almofadas de cada lado.
O lume
crepitava na lareira, e ele instruiu qualquer coisa aos empregados em japonês,
que se despediram reverentemente como pelos vistos era mesmo habitual, e não
uma coisa mais exacerbada nos filmes.
Estavam
enfim sós.
A ocupar a mesa toda, arrumadinhos em filas milimetricamente alinhadas, todas aquelas formas de sushi e sashimi e uma garrafa de forma bizarra que só podia ser saquê.
A ocupar a mesa toda, arrumadinhos em filas milimetricamente alinhadas, todas aquelas formas de sushi e sashimi e uma garrafa de forma bizarra que só podia ser saquê.
A Filipa
esperava que ele também estivesse de quimono, mas não. Estava como o tinha
visto, alargara a gravata, arregaçara as mangas da camisa e simplesmente tirara
os sapatos.
Jantaram
lentamente, conversaram de tudo menos de trabalho, e de casamentos. Tudo isso
pertencia ao mundo e eles tinham saído dele, por algum tempo; tempo que seria
deles e só deles. Todos queles sabores exóticos e controversos ao paladar, mas
que no final deixam aquela saudade que só quem aprecia verdadeiramente entende foram
delicadamente retidos. Já passava das onze quando ele se levantou, rodou a mesa
e ajudou-a a levantar.
Sem
palavras, ele guiou-a ao quarto. Duas molduras deitadas impediam que os olhos
da mulher vissem de que forma fosse, quando ele se chegou por trás
dela e lhe prendeu o cabelo para lhe descobrir aquele ponto, entre a nuca e a
orelha, que quase o tinha impulsionado no corredor do escritório a agarrá-la,
para lá a beijar.
Ela esperava
que ela a despisse, mas ouviu o som de roupa a roçar noutra, percebeu o que era
quando ele lhe aproximou a gravata da cara e a vendou.
Não sabia
muito acerca de gueixas, mas pelo
pouco que sabia, seria o que a elas mais associava: a total e completa
submissão.
O Mestre abriu-lhe o quimono, e ela sentia-se ainda mais exposta, do que se estivesse
completamente despida. Sentiu-lhe a mão subir-lhe daquela linha onde começam os
pelos púbicos, lentamente sentindo-lhe a forma ligeiramente arredondada – mas
terrivelmente sedutora – da barriga dela. Quanto ele não lha quisera conhecer com as mãos, tão perfeitamente encaixada na sua saia de executiva que lhe parecia a das fardas de gala das soldados Femininas, durante as horas que ela o tinha cilindrado!
Agora
conhecia-a por fim! E os peitos dela… pareciam mangas a rebentar de maduras!
Grandes, muito maiores do que à partida se suporia pela delicada compleição
dela, e principalmente pela sobriedade da roupa com que a vira na reunião, mas
ele, habituado ao que é um corpo de mulher, não se surpreendeu. Tocou-lhes ao
de leve e ela estremeceu.
A Filipa
sentiu-lhe os dedos roçarem-lhe pescoço acima e acompanharem a curva suave do
seu queixo. Sentiu-o força-lo ligeiramente de modo a que ela abrisse a boca.
Ela
mantinha-se de braços esticados ao longo do corpo, mas aí não resistiu a querer
tocá-lo; ele ficou fulo.
“Quieta
mulher!” Sentiu-se puxada pela nuca ao encontro da cara dele. O arrepio que lhe
começava a passar do berro prévio, foi reavivado multiplicado por dez quando
lhe sentiu o roçar da barba de três dias impecavelmente aparada.
“Responde-me
quando eu falo contigo!”
“Sim.”
“Sim?! Sim?!
Com quem pensas que estás a falar? Responde como deve ser; agora! JÁ”
“Sim… M…Mestre!”
O sabor que o nome lhe deixara na língua, quando à
espera dele no carro, fantasiara com algo que já tinha a certeza, acabaria por
acontecer, não tinha nada a ver com o que agora sentira ao dizê-lo, mas ao mesmo tempo, era o que de alguma forma melhor
colava com ele. Era como se fosse o mesmo sabor mas com um toque de wasabi, e o resultado era surpreendentemente similar, pelo exotismo, que aqulele provoca nas papilas!
“Quero ouvir-te dizê-lo com convicção; não a gaguejar!!!”
“Quero ouvir-te dizê-lo com convicção; não a gaguejar!!!”
“Sim, Mestre!”
Estremeceu toda por dentro. Nunca se sentira tão
vulnerável em toda a sua vida. Ali estava, despida à frente dum desconhecido,
ninguém sabia onde é que ela estava, e reafirmava-lhe a completa e incondicional
submissão. Sentiu os peitos enrijarem ainda mais e os mamilos quase doíam de
tão enrijados pela tesão que de repente sentiu humedecer num pingo escorrido
para a parte interior da coxa esquerda. Uniu as coxas de modo a esfregá-las uma
na outra; teve a esperança de o fazer sem que o mestre reparasse. Deu-se mal;
não conseguiu, e ele agarrou-lhe a mama direita com força, deixando-a descobrir
a indescritível força dos seus dedos longos.
A outra mão pegou-lhe então na cara, e com o polegar,
correu-lhe os lábios a toda a volta. Insinuando-se entre eles, fê-la entender
que a queria de boca entreaberta, e deslizou o polegar entre os dentes até que
o sentiu tocar-lhe na língua. Fê-lo entrar e sair da boca dela até que ela
arriscou a unir os lábios à volta e o começou a chupar. Sentia-lhe a respiração
no pescoço, e o corpo que ele irradiava do corpo, sentia-o na pele.
A mão que lhe esborrachava a mama largou-a e sem
aviso plantou-se impudica sobre a sua pelagem criteriosamente aparada; cobria-a
toda e a ponta dos dedos deslizaram sem resistência entre os lábios exteriores
e tocavam-na sensitivamente nos pequenos. Sentia-a pronta, deserta por mais. Aquilo
sim, era ter poder sobre uma mulher. Fazê-la entregar-se completamente aos seus
caprichos. E tão excitada que não só deixava fazer tudo como implorava que
fizesse ainda mais. Ainda que não o fizesse com palavras da boca de cima, a de
baixo, na língua universal confessava-se pronta a servir para o que milhões de
anos de evolução tinham preparado o corpo duma mulher.
O peito dela subia e descia cada vez mais ofegante. Cada
vez mais ávida de estímulos, viessem eles de onde viessem!
Tinha contudo, de se contentar com o que ele lhe
concedia.
Pelo lado dele, estava quilhada; não seria cedo que Luís
a apaziguaria. Nunca vira uma mulher como ela, com aquele fogo contido no
olhar, com aquela necessidade de submissão que se lhe via nas subtis revelações
inconscientes durante toda a tarde. Por detrás daquela impenetrável
negociadora, ele vira a fêmea que, oprimida, gritava a revolta de mais não
aguentar.
Acabara por resultar ainda melhor do que alguma vez
planeara ao trocar o iPhone com o dela. Ele planeava forçar um encontro pouco
depois de ela sair do edifício, mas aquele pancona do Guimarães tinha que
vir com aquelas paneleirices da festa surpresa à D. Susana, e precisava porque
precisava mesmo do ficheiro que ele tinha onde? Pois; no iPhone!
Era cedo demais, arrasaria toda e qualquer hipótese
de fazer fosse o que fosse no sentido de a convencer a estarem a sós. Voara ao
escritório, ligara o computador e abrira a nuvem para descarregar o maldito Excel.
O plano inicial era ligar-lhe uns quinze minutos
depois de ela ter saído da reunião, e quando o conseguiu, três quartos de hora
depois, receou que ela já tivesse chegado a casa, fosse lá onde fosse. Só sabia
que ela morava para a zona do Estoril, mas tudo acabara por correr
maravilhosamente bem: ali a tinha, à sua completa mercê.
“Ajoelha-te!”
Ela obedeceu prontamente.
“Mantém as mãos atrás das costas”, agarrou-lhe nos
cabelos com força para lhe inclinar a cabeça de lado, para que o ouvisse bem. “E
nem penses mexê-las!”
“Sim Mestre.”
“Linda menina.”
Chegou-se a ela, por trás, com que ela o ouvisse a
abrir o cinto. Tirou-o, não podia esperar por lhe fazer o derradeiro teste:
dobrou-o ao meio, e enfolou-o de modo a, quando afastou os braços com força ele
estalou violentamente com um baque inconfundível. Ela estremeceu ao som. Mas não
se mexeu.
Repetiu, agora mais perto dela, e nada. Para além
duma cada vez mais ansiedade patente na respiração, a Filipa nada fez para fugir,
ou para se desvendar, ou para que ele parasse.
Assim sim! Ela vivia aquilo simetricamente à forma
como ele o vivia.
E a sua boca, ela enlouquecia-o com aquela boca de
sonho. Fizera-o sentir mais no polegar do que toda e qualquer outra mulher
alguma vez conseguira a mamá-lo.
Enfiou-lhe o indicador, e depois o médio pela boca
dentro, à bruta! Queria ver até onde é que ela ia, e ela lutou contra ela mesma
de forma a não o desagradar. Ela era sua escrava; se ele lhe queria enfiar os
dedos na boca ela dar-lhe-ia a boca toda para ele explorar.
Esperava só que, depois de a explorar como bem
entendesse, lhe concedesse um pouco de atenção; ele sabia como aquilo a estava
a excitar. E se se portasse bem, talvez depois a deixasse libertar aquela
energia toda que acumulava sob a forma da mais explosiva fome.
(continua)
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Fome de Corno! Por Rosa Mateus
Eu nem quis acreditar quando abri o mail há pouco, e vi este presente!
A mais linda surpresa que eu podia receber, para celebrar as 700 visitas!
Obrigada querida amiga, só tu!
Fome de corno!
por Rosa Mateus
Olá, chamo-me
Fernando, tenho 39 anos e, sei-o visceralmente, sou cornudo!
A Dulce, minha mulher há
dez anos, tenho a certeza de que me anda a trair. Nunca vi nada de concreto,
mas um homem sente certas coisas, e um valente par de cornos – acreditem – sente-se
de sobremaneira.
São certos detalhes,
olhares, atitudes que me deixam sempre alerta, para quê não sei, mas deixam-me
permanentemente atento a ver se descubro. O que farei com essa descoberta não
sei. Eu amo a Dulce e simplesmente não consigo imaginar a minha vida sem ela, e
sei que ela me ama também.
Como posso ter isso
como certo, se ela tem outro?
Como eu disse, há
coisas que um homem sente!
Às vezes dou por mim a
pensar nela, no que andará a fazer e, Meu Deus, as coisas que me passam pela
cabeça. Visões dela com outro homem, num quarto dum hotel, no banco de trás dum
carro num descampado qualquer, sobre um capot no meio dum pinhal são apenas
alguns exemplos.
O, mais do que
possível, provável homem com quem ela partilha o que, frente a duzentos e
quarenta e cinco convidados, um padre e a Deus, ela se comprometeu a manter meu
e só meu – o seu foder – é o que foi o seu primeiro e que ela faz questão de
manter sempre como alguém muito especial. A forma como ela o faz, chega a ser
retorcida e calculadamente como uma autêntica cabra!
Nós conhecemo-nos
quando ela deu aulas aqui no Entroncamento. Chegara ao limite de suportar a
relação com esse tal S, que se resumia a uma constante montanha-russa de
permanente alternância amor-ódio, desde que tinham começado a namorar ainda na
escola andava ela no 10º ano e o apanhou quando ele repetiu a cadeira de
Matemática na turma dela.
Segundo ela me contou
na altura, o que a atraia mais nele era o que mais raiva lhe dava. Ele era
extremamente possessivo, não a podia sequer ver a conversar com ninguém, mas
quando ficavam sozinhos ela percebia que toda aquela possessão se devia a uma
única razão: ele amava-a mais do que à própria vida, e mostrava-lho através da
forma como fazia amor com ela. Por mais distante que ela se tente – tentasse,
que já há muito deve ter percebido que não consegue – mostrar já longe do que
isso mexia com ela, eu sempre percebi que “aquele lugar muito especial” era um
lugar onde ela, mentalmente voltava mesmo que não quisesse, mesmo que o quisesse
duma vez por todas tirar da cabeça e da pele, mesmo que desejasse num tudo por
tudo que a nossa relação resultasse.
Aprendi a viver com
isso, afinal cada pessoa é como é devido a tudo o que viveu, certo?
Mas uma coisa contudo
eu sempre soube: de tempos a tempos, eles falavam. Ia-o sabendo porque ela me
dizia que ele lhe tinha ligado, para saber como ela estava, falavam dos miúdos
dele, ele dizia-lhe o tremendo incómodo que ela representava para a mulher
dele, que se sonhasse sequer que eles falavam que seria a queda do Carmo e da
Trindade. Segundo ela, isso era a desculpa para ser sempre ele que a ligar;
como se, por um lado isso interessasse realmente para alguma coisa, ou se, se
realmente assim fosse, não houvesse uma periodicidade muito mais frequente do
que a semestral como ela me contava que acontecia.
Com o tempo, passei a
lidar com as voltas ao estômago que sentia ao princípio, passando-as um pouco
mais para baixo: para o meu baixo ventre!
Fui sentindo o
processo, e de cada vez que sem o conseguir evitar, pensava na eventualidade de
algo se poder passar, mesmo que não passasse duma profundidade maior de
sentimentos residuais que eles ainda nutrissem um pelo outro, sentia-me menos
revoltado, e mais excitado.
Processo este que foi
demorado, que esta coisa dos cornos não é coisa que nasça assim de qualquer
maneira, levou uns quatro ou cinco anos a acostumar-me à ideia de os poder ter,
e depois mais uns dois ou três a acostumar-me ao seu peso.
Quando já os suportava
confortavelmente, comecei a desfrutar deles. Começava no próprio dia em que ela
me dizia que tal dia teria uma reunião na escola, e que seria uma chatice, pois
teria que lá ficar até tardíssimo, coisas desse género.
A comichão nas minhas
frontes estendia-se ao interior da minha cabeça que rapidamente fazia umas
contas de cabeça e calculava daquelas horas todas que ela falava – geralmente
essas reuniões eram sempre ao fim do dia em que não tinha aulas da parte da
tarde – dava perfeitamente para ir até uma das cidades vizinhas, fazer o tivesse
a fazer durante uns bons pares de horas – e regressar ao Entroncamento com a
barriga cheia de saudades mortas do ex-namorado.
O efeito, foi-se
começando a notar nessas noites anteriores, em que eu, inconscientemente,
tentava pelo menos igualar ou aproximar-me do que eventualmente ela viesse a
sentir no dia seguinte; e prolongava-se na noite seguinte quando a imaginava de
regresso do tal hipotético parenteses da vida real que eu imaginava que ela ia
abrindo e fechando, contendo lá dentro aqueles momentos só dela e do seu
primeiro homem.
Talvez pelo peso dos
adornos, tudo aquilo acabava por fazer sentido: afinal, ela agora era minha
porque queria, porque o tinha deixado, e era a mulher que era porque assim ele
a tinha feito; a distorção da realidade ia ao ponto de eu ainda, no fundo, me
sentir profundamente agradecido cá no meu íntimo ao excelente trabalho que ele
fizera.
Em suma, aprendi a
lidar com a situação como quem compra um carro novo e sabe que uma tarde ou
duas por ano ele tem que voltar à origem para verificar se está tudo como deve
ser, se está a ser devidamente tratado e estimado.
Felizmente, sempre
resisti a cair no erro tão comum de tantos homens por esse mundo fora,
convencidos de que é com a força e brutidade que mostram a sua força. Nunca me
pus a aprofundar as minhas suspeitas, nem sequer a controlá-la minimamente; por
um lado porque sabia que se o fizesse, fodia tudo entre nós – afinal tinha sido
isso que a afastara do gajo – pois se havia coisa contra que ela estava
vacinada era a ciúme doentio; por outro porque, objetivamente, nunca vira a
menos razão para não confiar nela, nem mesmo quando ela regressava das tais
reuniões/supostas-tardes-loucas-de-mulher-casada que eu imaginava; e por último
porque tinha um sério receio de que tudo afinal não passasse de um enorme e
indescritível: Nada!
Um nada se passar,
desmoronaria todo aquele castelo que já não era só castelo, mas um castelo,
cidadela, muralhas, pontes, rios, igrejas, pastores, reis e ovelhas, que já
mais parecia um presépio com um castelo de cartas, que eu construíra na minha
fantasia.
Aos poucos, fui
revelando a minha abertura de mente, comprei uns dildos em sex-shops online, e
fazia-os aparecer convenientemente no meio da cama quando e sentia já
totalmente incendiada.
Da primeira vez, foi
um pateticamente pequeno. Tinha vibração, e eu, caindo naquela velha esparrela
de que o tamanho não importa, achei que seria o indicado para não a assustar;
assustá-la!, como se alguma mulher se assuste com um valente e apresentável
instrumento desde que seja usado convenientemente.
A sua disfarçada
desilusão fez-me logo no dia seguinte voltar ao site e encomendei logo, pelo
sim e pelo não mais três: um médio, mais ou menos no meu tamanho; um maiorzito,
do tamanho que eu não me importaria de ter, e um XXL, o derradeiro tira-teimas
que, se ela o suportasse, acabaria de vez com a sua insistente necessidade de
me tentar convencer de que se eu fosse um pouco maior não seria bem melhor.
Enfim, coisas de gajas, adiante!
Passei a,
ciclicamente, porque nem sempre a sentia para aí virada - e verdade seja dita
nem eu – ir incluindo aquela brincadeira nas nossas sessões de sexo, que nunca
tendo sido insonsas, foram cada vez ficando mais e mais animadas. Mas de há uns
tempos para cá, e principalmente desde que ela ficou desempregada, o clima
tinha ficado um pouco para o não presta; tanto que a mala onde guardamos os
ditos “jogadores suplentes”, a última vez que fora desarrumada, tinha sido por
altura da passagem de ano.
Fora, porque foi-o a
semana passada!
Eu cheguei um pouco
mais cedo a casa do que costumo. Entrei como entro sempre, fechei a porta e
como não a senti em casa, fui direito à cozinha e servi-me dum copo de água.
Estava a bebê-la e pareceu-me ouvir alguma coisa, quando tirei o copo da boca,
e ia para a chamar, ouvi-a clara e distintamente a gemer como só o faz quando
se vem: começa num gemido longo que vai subindo e subindo de tom até terminar
com o que parece uivo de loba em noite de lua!
Gelei da cabeça aos pés!
Aquela valente puta estava na cama, a ser magistralmente fodida; restava saber
por quem… E se ela berrava!
Pé ante pé, fui até ao
quarto. A porta encostada deixava uma conveniente frincha por onde consegui
vê-la: deitada de costas na cama, de olhos fechados, com o tal tira-teimas
gulosamente enterrado até ao par de colhões a fingir que lhe serve de base.
Estava possuída! Acabara de se vir e já retomava a lavoira daquela sua racha
que agora mais devia parecer um algar, com uma fúria como eu nunca me atrevera
a escarafunchá-la quando era eu a usar um dildo nela – mesmo quando era o outro,
dois tamanhos abaixo. Num ou dois minutos no máximo, veio-se novamente.
Nem ela própria se
deve ter dado conta, mas no meio da palavras desanexas, dizia o meu nome, se eu
gostava, se era assim, ou assim que eu gostava de a ver a ser fodida; ela estava a fantasiar que o dildo era um outro homem e que eu estava a assistir!
A minha primeira
vontade foi a de irromper quarto adentro e fazê-la engolir aquelas palavras; não
sei bem o que queria conseguir com isso, agora à distância talvez fosse algum poder
sobre ela, e é isso que me faz reconhecer quão estúpido, agora; o poder que eu
queria ganhar seria para que ela fosse ainda mais minha, quando em concreto ela
nunca, nunca me dera a mínima ideia do contrário, e tudo aquilo não passava das
minhas tretas de marido encornado.
Mas o que é que eu
para aqui estou a dizer? Que ela mantinha a sua ligação ao ex-namorado era
incontestável, e eu só não sabia mais porque não calhava! E nada, por mais que
nunca a tivesse apanhado a mentir, também nada me garantia que não fosse pela
sua inteligência.
Resolvi ir por outro
lado: deixei-a sossegar e voltei para ao pé da porta da entrada. Se ela por
acaso se levantasse, fingiria ter acabado de chegar e estaria de pé a ver um
qualquer folheto que tivesse na caixa do correio. Não precisei de fingir nada, ao
fim duns minutos, como nada se ouvia do quarto, estranhei, esperei ainda mais
um pouco e lá voltei outra vez à porta do quarto. Aquela maluca, de tanto se
ter vindo, deixara-se adormecer. O ar de saciação na cara dela dizia tudo, não
podia estar mais satisfeita, e eu, com o olhos pegados naquele barrote que
agora jazia inanimado entre as suas pernas, ainda a brilhar do seu muco
vaginal, só conseguia imaginar o estado em que ela teria aquela vagina; devia
estar tão aberta que eu dentro dela pareceria o badalo a abanar no meio dum
sino.
Deixei-a dormitar mais
uns minutos, voltei a abrir a porta da rua, bati-a como se viesse a chegar e
chamei-a como faço normalmente.
Dei-lhe mais uns
momentos para lhe dar tempo de fazer o que tivesse planeado, e foi sem surpresa
que a vi retirar disfarçadamente a mão de debaixo da almofada, onde seguramente
devia ter escondido o seu companheiro de aventuras solitárias. Disfarcei não reparar
no canto da mala das maravilhas que eu não podia evitar de ver, embora
estivesse do outro lado da cama, e mostrei-me naturalmente preocupado com o
facto de ela estar deitada àquela hora.
Respondeu-me que
tivera uma dorzita de cabeça, mas que entretanto já passara. Ficou convencida
de que eu acreditara e fomos preparar o jantar.
Como amor com amor se
paga, se ela me mentira em tinha todo o direito em fazer-lho também; durante o
jantar fiz-me de cansado e com uma vontade daquelas de cair na cama e descansar
o esqueleto. Sempre queria ver o que é que ela fazia.
Assim que nos deitámos
voltei a referir que estava realmente moído; foi a prova de fogo, e ela passou
com distinção quando me ronronou:
“Amorzinho, eu
quero-te!”
“Mas o que te deu
hoje?”
“Nada. Estou excitada,
deve ser por causa do texto que estou a analisar… toca-me e sente como eu
estou!”
Ok! Fazia sentido;
quando a senti alagada nos seus fluídos espessos e viscosos, da sua tarde de
suruba solitária, fiquei doido. Quis ver mais de perto o que senti com os
dedos. Desci por dentro da cama, e ela – sabendo aonde ao que ia, facilitou:
abriu bem as pernas escancarando-se toda. Quando aproximei a língua da sua boca
de baixo, acomodei-me como que a assegurasse não tencionar ir a lado nenhum nos
próximos tempos.
O seu cheiro a cio foi
intoxicante; era um cheiro intenso e refinado que por si só me entesava todo.
Não fazia ideia do que é que ela lá quisesse dizer com a história do texto, mas
alguém escrevera algo capaz de deixar uma mulher assim tão excitada, a ponto de
se entregar ao prazer como só um homem normalmente faz, macacos me mordessem se
eu não queria também ver.
“Dulce?!”
“Sim amor?”
“Que se passa contigo?
Que andaste a fazer esta tarde?”
“Porque perguntas?”
“Porque estás toda
alargada e vermelha… como se tivesses passado a tarde inteira a foder…”
“É mesmo amorzinho? E se
tivesse? Se eu te dissesse que sim, que estive a tarde toda a transar, ficarias
zangado?”
O ar desafiante dela
deixou-me com receio de ter ido longe demais. Senti-a retraída; deve ter ficado assustada com o
facto de eu poder desconfiar do que quer que ela tivesse estada a fazer durante
a tarde. Parei e fiquei a olhar para ela
com ar inquisidor, como se tentasse perceber o que raio se estava ali a passar.
Puxou-me a si, e não consegui disfarçar o tesão que me devia incendiar o olhar;
tentei evitar que me sentisse a rigidez que me denunciaria, mas acho que ele mo
sentiu não obstante.
Isso deve-a ter sossegado um
pouco e envolveu-me entre as coxas, ajeitando-se debaixo de mim, agora bem mais
confiante do que segundos antes. Então, com um decidido e certeiro impulso,
empalou-se completamente no meu pau, fazendo-me enterrar por ela dentro até aos
tomates ficarem espalmados conte o seu rabo.
Nunca a sentira assim, a sua
cona parecia uma taça de papa mole e quente, estava completamente lasseada; e
fiquei doido. Fodi-a com raiva. Tudo o que eu tinha em mim de macho, apliquei-o
naquela foda que a fez alucinar de prazer.
Nem quando me sentia mais
enraivado com o saco de boxe onde regularmente dava uns socos para me livrar da
tensão do dia a dia, o fazia com mais raiva, eu queria desmanchá-la ao meio
à conta daquela foda.
Acho que queria acima de tudo
arrancar-lhe aquele ar de luxúria e de volúpia estampado na sua cara, tal
era o prazer que ela estava a sentir – foi aí, mais uma vez, que senti falta
duma arma de maior calibre, mas aquela teria que fazer o serviço – só teria que
disparar umas quantas vezes mais, e usar de outros artifícios; os que só quem
tem um coiso dum tamanho normal percebe: ferrei-lhe os dentes no pescoço!
Tanto deve ter resultado que
a fiz vir-se com um grito que aposto que se deve ter ouvido até ao outro lado
do Entroncamento.
Deixei-a recuperar uns
segundos para voltar a ganhar fôlego, e ela perguntou-me:
“Ai amor, assim matas-me de
prazer. Todo esse tesão é porquê? É por aquilo que te disse? É pela ideia de
que eu possa ter estado com outro? Outro homem que passou a tarde a comer-me? À
tua mulherzinha? É?”
Se não tinha respondido, aí
é que não podia ter respondido mesmo; com uma última estocada que me levou mais
dentro dela do que nunca fora antes, enterrei-me todo e parei: vim-me num, e
noutro, e noutro, e noutro e ainda num outro espasmo naquela que foi de longe a
mais violenta esporradela de que tinha memória desde que me iniciara na
maravilhosa arte da auto infligida glória solitária e na posterior atividade
sexual acompanhada. É exagero, mas senti os tomates a esvaziarem-se de tal
maneira que imaginei que encheria uma garrafa de 33 cl até ao gargalo!
Quando acalmei, tentei sair,
mas ela não deixou. Sussurrou-me ao ouvido:
“Eu amo-te. Nunca estaria
com outro homem, e tu sabe-lo bem.”
“Eu também te amo…”
“Meu Deus! Tu ficaste louco,
foi por aquilo que eu te disse?”
“N..não, não sei… talvez.
Foi forte! Imaginar outro homem contigo foi como um ferro em brasa na minha
cabeça.”
“Mas deixou-te assim como te
deixou…”
“Onde foste buscar essa
ideia?”
“É do texto que eu estou a
trabalhar. Lê-lo deixou-me assim.”
Contou-me a história, e
perguntei-lhe se estava assim tão alargada só da excitação e a aflição fê-la
engasgar um pouco; senti-lho uma rendição no olhar.
“Não. Eu estava tão excitada
que me masturbei; mas ainda foi pior. Eu precisava, precisava demais de me
sentir bem comida, e fui buscar a nossa mala. Eu não estava em mim, de tão
excitada que aquela história me deixou.”
“A mala? Mas tu nunca
achaste grande graça aos brinquedos…”
“Nunca. E nunca pensei vir a
fazê-lo. Mas como a R diz no seu livro, nunca se deve dizer nunca…”
“E como foi? Qual usaste?”
“O grande… aquele que me
deixava desconfortável, mas que hoje, como eu estava foi o melhor que tu podias
ter comprado para mim.”
Afinal, não fora nada
daquilo que eu ainda esperara, mas mesmo assim, deixou-me novamente a pontos de
partir pedra à paulada!
Ia para a montar novamente,
mas ela fez-me parar.
“Dá-me prazer com a tua língua.”
Não foi nem um pedido, nem uma ordem; foi uma imposição suplicada!
Nunca gostara muito de o
fazer após me ter vindo, não era nem pelo sabor nem pelo que representava, simplesmente
não lhe via grande sentido daquela forma: via-o sim como um preliminar. Mas da
forma como ela me fez sentir que queria, e eu não podia arriscar abrir um
antecedente que lhe desse a justificação duma próxima vez que eu lhe pedisse
que me acarinhasse com a sua língua as minhas partes furibundas.
Atirei-me à empreitada
apostado em proporcionar-lhe o minete da vida dela!
Ela estava cheia até às
bordas, e o simples toque da minha língua fê-la piscar tão fortemente que até
espichou um pouco de esporra para a minha cara. Imaginei que ela assim
estivesse por fantasiar alguma coisa mais extrema; por exemplo – e isso fazia
tudo ganhar uma outra dimensão e sentido – que toda aquela esporra fosse
proviesse daquele caralhão descomunal em que ela se acabara durante toda a
tarde!
Voltou-me a atacar em força
a minha velhinha fantasia-temor; como se aquele brinquedo de gente grande não
fosse nada mais nada menos do que um urgente e único remédio face à sua
implacável vontade de matar saudades do outro!
Engoli em seco mentalmente
imaginando o outro do tamanho do brinquedo; excitado como estava, nem sequer me
preocupei com a triste figura que eu andara a fazer durante todos aqueles anos
que passáramos a foder- aliás, o que me veio à ideia foi precisamente o
contrário: esperei que sim! Que já que era para ser, que fosse em bom.
Resisti, sei lá como, para não
lhe levantar a lebre e deixá-la de pulga atrás da orelha, a pedir-lhe o seu
acompanhante da tarde, e deleitei-a com a mais esmerada amostra de paraíso
lingual.
Dei por mim a gostar
realmente daquilo, e deixei-me afundar ainda mais; já não era a minha esporra
que eu sorvia e aproveitava para a encharcar ainda mais enquanto chafurdava que
nem um alarve naquele rio de prazer que escorria da sua intimidade. Levei-a
àquele ponto em que uma mulher se vem sem parar umas vezes atrás das outras,
até que não consegui segurar-me mais: tinha que me sentir novamente naquele
barroco de fogo intenso, e subi por ela acima que me recebeu ainda meio grogue
A sua fome assegurou-me de
que aquilo era uma fantasia sua também. Não mo disse, mas também não precisou.
Eu conhecia-o bem demais para saber que aquele caminho nos levaria por viagens
intermináveis de prazer e tesão.
Tinha a minha boca, e toda a
cara chias de nós, e ela quis também provar do nosso prazer. Acabámos por nos devorar
um ao outro enquanto, estocada atrás de estocada, sentindo a consistente
construção do mais vertiginoso orgasmo conjunto, nos fomos preparando para o
grande momento.
Dizer que foi mágico, além
de meio amaricado, fica aquém do que foi, mas vocês percebem-me.
Quando final e inevitavelmente
caímos completamente estafados, ficámos a olhar um para o outro; a ver o quanto
aquilo nos tinha aproximado – ainda mais do que sempre fomos!
Adormeci a magicar numa
forma de, pelo menos incentivar a levarmos mais longe aquela nossa fantasia;
mais no sentido de, pelo menos a fazer assumir-me que gostaria da ideia de que
outro homem a fodesse à minha frente, afinal eu comecei por assumir que sou
cornudo, ou não? E um cornudo não fica cornudo quando a mulher lhe põe os
cornos; já nasce cornudo!
Depois, é uma questão de ter
a sorte de encontrar a mulher certa para fazer o resto! Só tinha era que fazer
as coisas de maneira a deixá-la pensar que ela é que ia comandando!
Fim
Um miminho para enfeitares o teu blog maravilhoso, com
um grande beijinho!
Rosa Mateus, 5 de junho de
2014
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