terça-feira, 10 de junho de 2014

Sim, Mestre! (3ª parte - final) por Rosa Mateus


Olá a todos, respondendo a mais um desafio da Dulce, e como se eu não tivesse mais nada que fazer - não é Dulce? - aqui vos deixo a forma como eu terminaria o "Sim, Mestre!"

Sim, Mestre!
Por Rosa S. Mateus 

O mestre Mestre, sem sequer saber bem de que terra era, com tal intensidade aquele orgasmo lhe sugara, juntamente com o seu vermute, todo o sangue que normalmente irriga o cérebro para a sua outra cabeça de homem, tentava a custo controlar as tremuras que lhe assomavam às pernas.
Tentou acertar a respiração, primeiro com a sua necessidade de ar, e depois com o bater do coração; como era possível nunca tampouco ter chegado perto dum nível de prazer como acabara de atingir, que só uma palavra conseguia dar uma pálida ideia: magnificente!
O olhar da Filipa, doce como uma taça de mel, procurava-lhe uma reação: um qualquer sinal de que o agradara condignamente; algo que a sossegasse de que a sua prestação lhe garantiria uma recompensa extra.
Aquelas golfadas do que ele tinha de mais seu, por si só, eram já garante duma eterna e arrasadora memória daquela noite; da sua primeira vez que sentira verdadeiramente capaz de deixar um homem de cabeça à roda com o prazer que lhe proporcionara.
Como o seu agora confirmado poder como fêmea, era tão incontestável, que conseguira derrear o mais enigmático, magnético, exigente, másculo e subjugador exemplar varonil com quem alguma vez se tinha cruzado em toda a sua vida.
Nada tivera que ver com amor; nada no Mestre a fizera sentir um desejo de ternura ou de carinho ou de qualquer outro dos inúmeros aspetos duma normal relação entre um homem e uma mulher; nada!
Ou não?
Ou seria aquele afinal um dos aspetos numa relação entre um homem e uma mulher, que, mais do que normal era imprescindível? Perdeu-se nesse enigma, enquanto processava tudo o que via e sentia ali assim de joelhos com aquele intenso sabor a interdito na língua e no espírito, enquanto olhava de baixo para aquele, assim ainda mais, imponente e arrebatador homem que não era o seu mas que a fizera dele como nunca o marido conseguira.
Ter saciado a sua sede de homem, despertou-lhe a fome de virilidade; e a forma como se sentiu salivar da sua outra boca – a boca do corpo – de mulher, impeliu-a a urgir um outro passo na direção que esperava que o mestre Mestre tomasse: a duma conclusão, duma finalização da sua posse, e ulterior prazer supremo que lhe daria no percurso que terminaria quando e só quando ele bem entendesse. Soube, como qualquer bombeiro saberia se se deparasse com o fogo do inferno para apagar, pelas brasas com que ele a olhava que demoraria no mínimo bastante tempo; muito mais tempo do que a permitiria chegar a tempo antes do marido.
Esse pensamento trouxe-lhe paz! Finalmente sentiu toda aquela angústia, de sempre – de não perceber porque procurava ele noutras o que procurava – ser apaziguada por uma tranquilizante certeza: não, não era um problema dela; não era ela que não tinha o que devia ter para agradar a um homem; não, não era dalguma parte de si, que a sua demasiadamente balizada educação cristã e permanente excisão mental em que as matriarcas manipuladoramente a haviam deixado crescer, que lhe faltava!
Não era nela que o problema devia ser procurado, mas sim no marido! E paz maior encontrou quando o imaginou a ele em todas aquelas eternidades que ela passara de pernas enroladas sob si mesma no canto do sofá, encontrando no intenso aperto duma almofada o único meio de a confortar da sua frustração pelo que o marido tardava em não aparecer, vindo de sabia-se lá donde; uma paz que era a mesma paz que ele devia sentir se nela pensasse e contudo continuasse a sua desprovida de escrúpulos e egoísta busca de prazer!
Prazer, que agora era a vez dela de o ter!
Por anos e anos a fio depositara as suas poupanças numa conta onde ajuntara uma maquia milionária e agora era chegada a hora do resgate! Queria levantar tudo o que era seu por direito, e queria-o com todos os juros e dividendos, que era para encerrar a conta definitivamente. Encontrara um outro destino onde elas seriam mais valorizadas; e seria às mãos daquele Mestre que ela confiaria aquele capital, para que ele o rentabilizasse e lhe soubesse devolver sob a forma duma renda vitalícia de prazer ilimitado.
O Luís puxou-a para que se levantasse, ela fê-lo colada a ele. Ele segurava ainda a gravata que fora venda e ela juntou as mãos para lha tirar.
Deixou-a, pensou que ela não quisesse mais adentrar aquela obscura floresta de desejos submissos, mas a forma como ela, continuou a segurar a gravata e, depois de rodar sobre si mesma as voltou novamente a juntar atrás das costas, fê-lo sentir um soco na barriga: ela queria que ele lhe amarrasse as mãos com a gravata venda, agora algema.
Ele, antes de a manietar, como se para se assegurar quão disposta e segura estava do que lhe pedia, agarrou-a pelo cabelo, desta vez com força, rangeu os dentes quando pressentiu o seu instinto de lidador deixar claro que se fosse solto, nenhum deles esperasse maciezas e comedimentos, e puxou-os retesando o braço como D. Fuas há de ter feito quando à beira do abismo se apercebeu do que o esperava um passo à frente; e como a montada se soergueu sobre as patas traseiras, também ela se dobrou toda àquele puxo.
Ela esperava que ele o fizesse, não com tanta força, nem que lhe provocasse tanta dor, e gemeu o prazer da surpresa. E o mestre que o Mestre, até ali ainda refreara, tomou por fim conta do que ainda mal começara. Amarrou-lhe os pulsos com força, numa sucessão de nós cegos e apertados que fizeram a Filipa tremer pela renovada e intensificada vulnerabilidade e garantiram ao Mestre que nunca na vida aqueles nós seriam desfeitos – quer figurada, quer literalmente – e que para a soltar só a talho de faca!
Ela sentiu-o a guiá-la para o centro do quarto; com a ponta do pé tocou num painel da parede que se abriu com a pressão e seguiu o puxo da mola que o fazia girar cento e oitenta graus revelando o espelho do chão ao teto que escondia da parte de trás.
Entre a dor contínua que o puxo dos cabelos a impedia de parar de sentir, e o impacto da visão da sua subjugação à mercê daquele homem enorme, soltou um outro gemido – mais forte, mais dorido – e esperou.
Ele não a chegou a soltar, mas aliviou um pouco a força. Não por condescender ao seu lamento, mas para preparar ainda mais; como um animal feroz que prova sangue fica impreterivelmente aficionado ao seu sabor, também o Mestre ficaria para sempre adicto àquele inimitável e perigosamente viciante som de submissão. Puxou o cadeirão, pesado e com braços, de frente do toucador e colocou-o rudemente em frente dela, e mais uma vez retomando toda a garra nas crinas da Filipa, dobrou-a sobre as costas do tal. Sem nunca a soltar, separou-lhe as pernas com os pés até que ela dividisse o seu peso entre os dois dela e a barriga. Ao mesmo tempo que a obrigou a olhá-lo no reflexo do espelho; como um quente em manteiga mole, enterrou-lhe o seu punhal de prazer até ao cabo, não lhe dando sequer tempo de respirar novamente antes de ainda mais fundo lho reafirmar quando um ainda mais forte puxão pelos cabelos a fez sentir o esplendor duma penetração lascivamente dolorosa.
A Filipa percebeu enfim o que estabilizaria o ímpeto matador dele num perfeito equilíbrio com o seu desejo de às suas mãos entregara a vida numa morte de prazer; a tão deliciosa morte de prazer inerente à sublimação do êxtase sexual!
Não durou muito! Nem ela própria acreditou quão rápida e enormemente aquele novo responsável pelas suas economias de sensualidade a reembolsaria da primeira tranche; de tal modo se surpreendeu que receou que tivesse sido uma devolução total do depósito inicial que ela lhe confiara – foi numa e duma só vez, o mesmo prazer que, se somado, sentira em toda a sua vida! Pensou que não seria possível, depois daquilo, ele alguma vez lhe voltar a conseguir assegurar aquele manancial que ela fantasiara.
Justificado erro e inequívoco sinal da sua inexperiência; como minutos depois reconheceria quando nova entrega ele lhe devolveu quando em gritos e suplicas sem nexo para que ele por favor, por Deus, por tudo e pelas suas duas mães: a que era Santa e a valente cabra, porque àquilo a conseguira vedar toda a amostra de vida até aí vivida e que só agora passaria a viver efetivamente.
Mestre, que mestrado se julgava em levar mulheres ao prazer, soube então que até àquele dia nunca fora mais que um mero aprendiz; nunca soubera nem nunca vira sequer o que era afinal uma mulher a ter prazer – nunca!
Queria continuar indefinidamente. Queria perpetuar aquele momento de partilha entre dois seres que conheciam por fim um outro patamar – não, patamar é pouco! – uma nova dimensão de prazer; mas não conseguiu!
A mensagem subliminar que a Filipa, quer através dos gritos e gemidos, quer através das contrações com a sua feminilidade lhe massajaram a lâmina, reteve-a e entendeu-a o seu corpo; era uma ordem para que através da sua nova explosão, lhe proporcionasse a dela – uma que queria plena e arrasadora, como só sentindo o depor das armas de um homem, uma mulher consegue conhecer.
A recente e fresca recordação da surpresa dos jatos na sua boca, deixaram-na inconscientemente alerta e sensível a todas as futuras manifestações da mesma sensação, fosse onde fosse do seu corpo, por isso, quando nova oportunidade pressentiu de a mesma sensação reviver, toda a sua alma se lhe dedicou: não imaginava – nada, alguma vez, a preparara para que o fizesse – onde, a mesma sensação, na sua mais sua intimidade a levaria! Parte do cérebro parou-lhe, e a outra parte ficou a bater mal. O êxtase foi forte demais para que ela conseguisse manter a consciência; foi-se numa alternância de gemidos, gritos que pareciam lamentos, e de outros que lembravam os mantras do yoga, só que entoados num registo exageradamente alto.
No meio de toda aquela corrente de estímulos, um pensamento assomou-lhe a mente: que soberba justiça seria, se o marido a visse naquele preciso e exato momento, em que bem no fundo do seu útero se sentia a receber tamanha descarga viril de um homem que a fazia sua; a imagem daqueles olhos vazios e sem brilho a olhá-la incrédulos, acender-se-iam seguramente naquela merecida condenação por todos os tormentos e humilhações a que a votara.
Tal imagem acabou com o resto dela que ainda funcionava. Veio-se numa sucessão de orgasmos interminável que se estendeu por uns eternos dois minutos, ou mais ainda, após o que perdeu completamente a – pouca – consciência que ainda lhe subsistia.  
Quando a sentiu imóvel, Mestre descravou-se lentamente do corpo da mulher que jazia inerte; a Filipa, à exceção das costas que conforme respirava, contraiam e expandiam, aparentava ter deixado o, este, mundo.
No gozo que ia esmorecendo, nem um som fazia.
Porque só perdendo algo se lhe sente a falta, pela morte que experienciara, a Filipa soube por fim que vivia – soube porque se sentiu voltar à vida, e soube que morrera porque a vira a ir-se quando o sentiu esvair-se. Um mesmo e único momento da mais jubilante simbiose: esvaíra-se ele, enchera-se ela; o gozo dela, que o fizera gozar a ele, originou por sua vez o dela – o derradeiro e incomparavelmente superior – por ser mulher!
Que nisto de prazeres e gozos, por grandioso que o de um homem seja, comparado ao que uma mulher sente nunca passa duma pequena ideia comparada com uma genial revelação! E é simples de entender que assim seja: uma mulher, se bem ligada e acesa, torna-se toda ela dos pés à cabeça “zona erógena” ou ponto G, ambas risíveis teorias seguramente lançadas por algum iluminado (homem, só pode!) dalguma vez que descobriu o que era possível despoletar quando se tocava uma mulher – mas esqueceu-se foi de ver o que acontece quando se toca toda, no corpo e na mente!
A Filipa, feita boneca de farrapos, sentiu-se erguida pelos ombros. O mestre Mestre, agora simplesmente Luís, amparou-a e depô-la suavemente na cama, deitada de lado.
Foi buscar à gaveta do toucador uma tesoura com que cumpriu a sentença a que condenara a gravata, e ajudou-a a rodar-se para que ficasse deitada de costas.
Passou-lhe um dedo desde a ponta do dedo grande do pé, lentamente, pelo corpo todo, circundou-lhe o umbigo perfeito e veio a terminar, depois de se demorar um pouco naquele ponto que fez o outro do pátio das cantigas fazer um brilharete no exame de medicina, de longe o mais perfeito que ele alguma vez vira, veio a terminar na sua face agora menos ruborizada.
Ela abriu os olhos para, pela primeira vez o ver sob uma irresistível vontade de lhe dar e sentir um carinho.
“Beija-me.”
O Mestre, agora já não - ou pelo menos não por agora – mestre baixou-se e parou a centímetros da boca dela. A certeza de que a sua vida mudara naquela noite fê-lo deter-se.
“O que é que aconteceu aqui, dizes-me?”
“Não sei, diz-me tu; afinal quem é o mestre?”
Ele parou de a olhar nos olhos e olhou-a para lá deles. Perdeu-se na mente dela e soube que, embora fosse infantilmente cedo demais para o sentir, também ela como ele se tinha apaixonado.
“Não há ninguém que queiras avisar?”

“Não.”

FIM


Golegã, 10 de junho de 2014
Rosa Mateus

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E pronto, é isto; como alguém disse um dia, Se queres ser melhor, dá-te com os melhores...
Palavras para quê? Percebem agora o que eu digo quando falo como falo dela? Depois disto vou-me ali enrolar debaixo duma pedra e deixar-me morrer...  
Calma, estou a brincar... que isto é tudo uma questão de tempo, de crer e de insistir!

Obrigada amiga, és a maior, m'lhere! 

domingo, 8 de junho de 2014

Fantasias à la carte!

Olá a todos, devido à calorosa receção dos meus contos, que pelos vistos até nem são nada maus, decidi seguir a sugestão de um leitor: criar uma secção onde quem tenha uma fantasia, ma relate para que eu escreva um conto à volta dela! 

Assim uma coisa do tipo "A Ilha da Fantasia", mas de pobre! 

Fico a aguardar!

dulce.torini@gmail.com 



sábado, 7 de junho de 2014

Sim Mestre! (2ª Parte)

A Filipa sentia enfim a sua verdadeira essência vir ao de cima, sentia-a a romper todas as capas e carapaças que os anos passados como estudante interna num colégio de freiras, a insistente pressão da mãe e da avó para se tornar uma menina bem comportada, haviam criado; todas as anulações que se tinha imposto quando sentia uma pontinha de desejo fora daquilo a que uma senhora devia sucumbir.
E rompia com toda a fúria duma fera enjaulada que por fim apanhava a porta destrancada; queria mais, queria tudo, queria sentir o que quer que levasse as putas a fazerem o que fazem. Queria sentir o que quer que a fizesse sentir, ser um pedaço de carne às mãos e mente perversamente obscenas dum homem que a usasse para o prazer, e rezou para que ele não lhe fizesse o pior que podia fazer – retrair-se de alguma forma!
Para isso já lhe bastava o banana do marido, que desde que tinham começado a sair lhe pedia licença para a beijar, pois não lhe queria estragar a maquilhagem, ou estragar o batom que insistia que ela mantivesse permanentemente impecável. Queque com a mania de que só porque era de Manique, era gente de bem de Cascais!
Os estalos do cinto tinham-na feito vibrar, receou que ele a açoitasse.
Não o fez, e isso frustrou-a. Pelos vistos não se estava a portar mal o suficiente. Parou de lhe chupar os dedos.
Foi mais longe, puxou as mangas do quimono de modo a fazê-lo descobrir-lhe os ombros, deixando-o prestes a cair e a deixá-la com o peito todo a nu. O Mestre; o seu mestre, engoliu em seco com aquela assunção dela à sua condição.
Ela estava verdadeiramente a gostar daquele jogo e estava nele, não como um jogo como até aí todas as mulheres com quem ele tinha tido alguma coisa do género tinham estado, mas como uma forma de se entregar plena.
A Filipa sentia-lhe os olhos a salivar sobre as mamas, ainda sentia nelas o aperto desmedido da sua mão, e subitamente sentiu a falta que os dedos dele lhe faziam a encher-lhe a boca. Lambeu os lábios como um gato faz quando atento vê o dono a preparar peixe cru.
“Mestre… faz-me tua.”
O coração batia-lhe como um martelo pilão, e ameaçava sair-lhe boca fora! Que será que aquilo lhe provocaria? E porque é que ele não reagia?
Mestre não reagia porque viu que ela queria que ele reagisse; simples! Sem o mínimo som, recuou um passo e admirou-a: ela era linda! Era a definição de perfeição feminina, e ali estava ela de joelhos, boca sensualmente entreaberta, nitidamente à espera de nela receber alguma coisa, e o seu olhar chegava a atropelar-se na constante subida e descida pelo seu corpo. Tentou estabelecer uma ordem de atuação, e lutou no dilema de não saber por onde começar.
Chegou-se novamente a ela, para a deixar ouvir o quase impercetível desapertar do botão das calças, e ao lento correr do fecho ela reagiu fechando a boca para a humedecer do que a antecipação lha secara. Viu-a contrair o pescoço quando foi ele a engolir em seco; foi decisivo para ele fazer o que fez. Deixou as calças caírem, de modo a que lhe tocassem nas pernas dela; saiu delas, e com um pontapé tirou-as do caminho.
Rapidamente despiu os boxers e o seu pénis saudou a libertação ostentando orgulhosamente o seu desafio à gravidade. Tocou-lhe levemente a bochecha com um dedo.
A Filipa percebeu perfeitamente o que sempre ouvira: na falta de um dos sentidos, todos os outros se aguçam para compensar a lacuna sensorial. Embora vendada, ela “viu-o” despir as calças e depois a roupa interior. O cheiro de macho dele sobressaia ao Armani Code que lhe tinha desafiado a concentração desde que ele a cumprimentara ao recebê-la para a reunião, e as feromonas entraram-lhe violentamente pelo cérebro, agregadas àquele odor almíscar inconfundível de homem excitado, e refletiram-se dois segundos depois na nova enxurrada que sentiu nascer-lhe entre os lábios agora floridos pela profunda excitação que lhos inchava de sangue e a deixava ansiosamente expectante.
Queria que ele lhe fizesse alguma coisa. Esperava que ele a tocasse sequer, e pressentiu o toque na cara do que se convenceu que fosse o seu pénis. Quando ele lho roçou, estremeceu novamente; ele esfregava-lhe obscena e deliciosamente o caralho teso na cara. Gostou; gostou muito. Quis mais e chegou-lhe a cara para o melhor sentir.
Ele sorriu quando a viu procurar acentuar o toque na cara, nem acreditou quando aquela ríspida e nada permeável a que tipo de confiança fosse advogada, dona dum sex appeal de fazer tombar o mais forte Golias com um simples olhar lançado detrás daqueles óculos enormes de massa preta, ali estava agora de joelhos a suplicar por lhe sentir o que podia muito bem ser o seu caralho teso a esfregar-se-lhe na cara.
Pôs-se mais a jeito, com uma perna de cada lado das dela, e aproximou-lho da boca enquanto lhe pegou na face.
Ela deixou-se guiar pelo que afinal era a sua mão. A cara, que sentia já a arder de tão corada, que o sangue a ferver pela excitação a deixava, pareceu-lhe pegar fogo quando ele lhe pegou terna mas seguramente. E quando sentiu a outra na parte de trás da cabeça, viu-se como algumas vezes não pudera evitar de ver em filmes cenas daquelas, em que o homem pegava na cabeça da mulher e se serviam das bocas delas sem dó nem pejo para se consolarem à bruta.
Esperou.
Não esperou muito, ele segurou-lhe na cabeça e tocou-a nos lábios. Recuou um pouco para que ela os lambesse, e voltou logo de seguida a dar-lhe o que ela pedia tanto como um bezerro esfomeado pede a teta da mãe. Enfiou-lho lentamente, dando-lhe o tempo suficiente para o ir deixando acomodar-se. Não acreditou como a língua dela o fez sentir ainda maior, mais rijo e mais curvado para o céu-da-boca gulosa e sedenta.
A Filipa sentiu o toque da pele distendida da glande nos lábios e o desejo causou-lhe um instintivo lamber para lhe sentir aquele sabor salgado que o aroma anunciava, quando o sentiu novamente não lhe deu sequer a hipótese de voltar a fugir; qui-lo mais e mais e mais ainda dentro da sua boca.
Lembrou-se de todas as vezes que o marido lhe pedira para o fazer e do que sentira de todas elas; uma espécie de asco, que agora se traduzia num incontrolável desejo de saber afinal, o que é que aquilo tinha de tão excitante. Era qualquer coisa que advinha dessa repulsa, que tornava tão proibido, tão contra o que toda a vida antes de começar a namorar lhe tinha sido incutido.
Ele gozava com ela, com o seu pudor! Chamava-lhe bonequinha doce…
Bonequinha doce; quis que ele a visse agora, de joelhos entre as pernas dum macho cujo simples sussurrar do nome a fazia tremer da cabeça aos pés enquanto lhe fazia a mamada do milénio. As mãos dele, por mais, que a agarrassem com força, na realidade seguiam-lhe cada movimento que ela fazia mais acertadamente que a mais rodada puta do beco mais chunga do Cais do Sodré.
O Luís estava no paraíso. O toque, a cadência, a humidade e a sucção – nem ele próprio alguma vez tinha conseguido aquela perfeição de estímulos!
O aperto, aquele delicioso aperto – nem demasiadamente forçado, nem comedidamente frouxo – fazia-o ter a consciência de que todos os planos que fizera de, só a título de teste, lhe estimular os sentidos e ver a reação dela tinham sido literalmente eclipsados pela necessidade, a cada chupadela – sentida por ele e transmitida por ela – de se deixar esvair de toda a esporra que tântricamente acumulava há já quase três semanas.
Na falta da sua mulher, que estava há já quatro meses no Japão, muito por causa do crescente desinteresse de parte a parte, pois facilmente qualquer um deles se meteriam num avião se a vontade de estarem juntos fosse efetivamente premente, e na falta de qualquer outra que lhe fizesse sentir que valaria a pena abrir a braguilha, era sozinho que se ia satisfazendo na sua necessidade masculina. E de há tempos àquela parte, vinha seguindo os ensinamentos Shiva e Shakti, praticando o prolongar do prazer, pois dessa forma transformava os constantes orgasmos num glorioso e estarrecedor quando finalmente sentia que o corpo não o conseguia prolongar mais.
Ela sentiu-o cada vez mais rijo, e a sua respiração, cada vez mais pesada; sabia o que aquilo queria dizer. Há muito deixara de lhe sentir o saco a bater no queixo de cada vez que balouçava naquele vaivém lento e compassado – cada vez mais acelerado – e isso era um dos sinais de que o fim estava próximo; os testículos estavam já retraídos nas suas cavidades, onde se recolhiam quando a ejaculação era verdadeiramente potente. Nunca sentira nenhuma na boca; queria que ele lhe desse a conhecer, mas receava a sua reação – temia que na hora se engasgasse, ou que não conseguisse evitar algum acto reflexo que lhe pudesse provocar algum vómito.
Ele tirou-lho da boca para a deixar responder.
“Assim vou acabar por me vir.”
A resposta dela, afinal, não requeria aquela interrupção; antes pelo contrário: ela procurou-o às cegas para que ele cumprisse o que – estava dito, dito estava – ele prometera!
Ele voltou a enfiar-se todo novamente, e desta vez até lhe encostar os pintelhos ao nariz, o que a fez soltar um suspiro morno que por pouco não o fez acabar com tudo naquele instante.
A Filipa admirou-se com o toque diferente que sentiu atrás da cabeça; percebeu o que era quando sentiu a claridade suave do quarto anunciar-se nas pálpebras, que fechadas a sentiram bem mais forte do que era realmente. Ele esperou que ela abrisse os olhos, e só depois retomou aquele ondular da cintura perfeitamente sincronizado no compasso dos movimentos da cabeça dela.
Ela olhava-a dentro da mais recetiva submissão que ela lhe assegurava com o seu olhar esverdeado quando se lhe deu.
“Toma-me.”
Ela sentiu o primeiro jato e depois outro baterem-lhe na bochecha; ele tivera o bom senso de se alinhar meio de lado. Encher-lhe-ia na mesma a boca toda de esporra sem a fazer passar pelo tormento de se engasgar, e conforme foram perdendo a pujança e a abundância, deixou-a então sentir o que era um macho esporrar-se contra o céu-da-boca.
Ela nem uma gota deixou escapar, semicerrara os olhos aos primeiros impactos, mas depois disso saboreara-lhe cada detalhe do seu néctar espesso e escaldante de macho.
Quando deixou de lhe sentir o sabor por fim, fez para o deixar escapar do que já se tornava numa sensação torturante para ele. Sugara-lhe até a firmeza, e quando o soltou pendia meio arqueado – símbolo derradeiro da total satisfação.
O olhar dele disse-lhe o que ele não precisou de falar: ela portara-se exemplarmente, e o mestre estava simplesmente sem palavras.

(continua)

As minhas primeiras mil visitas!

Obrigada a todos que a partir de:
Portugal
Brasil
França
EUA
Espanha
Alemanha
Russia (?????)
Angola
Venezuela
e por último mas não os últimos: Suíça,
             me visitaram nestes primeiros dias de existência do meu blog!

Dulce Torini


Sim, Mestre!

A noite cumpria por fim, o que prometera desde o cair. As primeiras gotas, tímidas, ganhavam confiança a cada uma que se vinha esparramar no para-brisas, e depressa a última velocidade das escovas mal davam conta do recado.
Com a cabeça ainda naquela sala de reuniões onde passara pela tortura de tentar ignorar a forma como o Luís a estudava enquanto a ouvia com os olhos a trespassar-lhe a mente, enquanto ela ia discutindo os pontos da ordem de trabalhos, a Filipa, que normalmente depositava o máximo cuidado na condução, nem sequer reparara que era o único carro na faixa da esquerda da Marginal.
O trânsito àquela hora, já há muito que acalmara no normal frenesim das sete e tal, mas ainda assim, era mais do que o normal para uma quarta às nove e dez da noite. Saiu em Carcavelos, e parecia que todos os carros que andavam na rua naquela noite era para lá que iam.  S. Domingos de Rana pareceu-lhe arrepiante sem vivalma, e a chuva cada vez mais intensa começou a deixá-la de sobreaviso, puxou o banco um trinco ou dois para a frente e ajustou o cinto, como se um pressentimento a tivesse alertado para o que estaria para acontecer.
Olhou para a mala no banco do pendura; ainda levou lá a mão para telefonar ao marido, mas decidiu que não o faria; se nem numa noite daquelas ele era capaz de lhe ligar para perguntar se ela estava bem, que se fodesse mais às suas constantes e prioritárias reuniões e jantares de negócios e trinta mil outras desculpas para raramente chegar a casa antes da meia noite ou uma da manhã.
Não fosse a merda da hipoteca da casa que ele insistira em comprar, e ela sabia bem o que faria. Como é que se deixara cair na esparrela de avançar com todo aquele dinheiro que a avó lhe deixara, é que ainda estava para perceber.
Porque não ficava bem a um promissor gestor de conta numa das maiores corretoras da praça! Maniento de merda! Com todos aqueles planos bem definidos em seguir os degraus que o padrinho lhe ia deixando alcatifados e que se ele fizesse tudo o que lhe mandavam como devia ser, o levariam em meia dúzia de anos à cobiçada delegação da Standard & Poor’s, levou-a a avançar ela com a entrada da casa, e que, quando subisse ele na pirâmide dos tubarões, repunha-o!
O problema é que o poder subira-lhe à cabeça, e via-se já como sendo ele o presidente do FMI ou coisa parecida, e o dinheiro, conforme entrava mais, encarregava-se ele de do fazer sair, naquilo que, como ele dizia, era uma projeção do sucesso, que por sua vez atraia mais sucesso.
Agarrasse ele no sucesso todo que ia obtendo e o enfiasse no cú, que era onde ele tanto gostava de apanhar em longas sessões de BDSM, algemado e de coleira, como um cachorro desobediente. Desenvolvera aquele fetishe quando se apercebera que era coisa in do pessoal das altas esferas.
Era in, era… cambada de frustrados que passam o dia a foder desgraçados e à noite procuram dominatrixes e putas da alta roda que os façam sentir castigados pelo mal comportados que são.
Da primeira vez que ele lho sugeriu, estavam a ver um filme qualquer em que um magnata qualquer estava de gatas todo nu com um cinto donde pendia uma cauda do género de cauda de cavalo, e ela o vergastava com um pingalim enquanto o xingava de tudo quanto era nome feio, e o obrigava a lamber-lhe as botas de couro negro reluzente, que lhe iam até meio das coxas roliças de cavalona. O ar de cãozinho dele, quando a olhou, nesse dia ficar-lhe-ia como uma das mais patéticas recordações dele.
Ela nem quis acreditar que ele achara piada àquilo, e falaram sobre isso. Deixou-se embarcar no papel, embora por dentro achasse tudo aquilo tão ridículo, que teve que fazer um esforço para conter o riso. Foi-lhe sincera, não achava piada nenhuma; quando muito, a ser ela sujeita às sevícias – desde que moderadas – mas não se conseguia ver no papel dominante. Simplesmente era feminina demais, e achava que o perfil para aquilo seria sempre o de uma mulher com alguma tendência para o lesbianismo, mas como não era entendida na matéria, nem se queria preocupar muito com o assunto, pois se o fizesse depressa se aperceberia que se estavam a tornar água e azeite.
Com os meses e com a recente promoção, viera a cada vez mais tardia chegada, as esquivas trocas de roupa, ou às escuras ou na casa de banho, as nítidas marcas de chibatadas que ela fingiu não reparar; as que pareceram queimaduras de cera no peito duma outra vez, que até pomada teve que andar a pôr às escondidas – como se depois de adormecer como uma pedra, ela não lhe pudesse abrir o pijama sem que ele se desse conta.
Jã não tinham rigorosamente nada há três meses. Nada!
O casamento já pouco mais era que uma parceria comercial em que o único objetivo era perderem o mínimo possível do investimento inicial, para assim que pudessem encerrarem a atividade e extinguirem a empresa.
Com a cabeça tão imersa em tudo aquilo, claro que tinha que dar merda!
Ao fundo da reta do aeródromo de Cascais, um lençol de água que não concordou com os termos com que o Smart negociou a trajetória, e foi por um triz que não deu uma série de cambalhotas pelo descampado a fora; limitou-se a depois dum violento safanão quando embateu numa vala mais funda, ficar meio inclinado para a direta.
Bonito serviço!
Sabendo de antemão que de nada lhe serviria, pôs o seletor no R e ouviu a lama do pneu a salpicar-lhe a parte de baixo do carrito. Tinha ficado com uma roda no ar. Afinal não era bonito, era lindo; lindo serviço!
Fez um breve cálculo, devia ter entrado pela fazenda adentro uns cinquenta o mais metros. Apanhou a mala que espantalhara todas as cento e oitenta e quatro coisas diferentes que uma mulher normal trás sempre dentro da mala, e tentou localizar o bendito iphone no meio da barafunda que forrava o tapete do pendura. Apanhou-o e assustou-se quando ele lhe tremeu na mão.
Sentiu-se no meio dum filme do Woody Alen, tão surreal foi aquele momento. Feita parva, ficou a olhar para o visor; era ela que estava a ligar!
Olhou em volta, à procura de alguma coisa que a assegurasse de que não tinha morrido ou coisa parecida, e aquilo fosse uma espécie de experiência extracorpórea adaptada às novas tecnologias, onde a sua consciência lhe estivesse para dar nas orelhas pela estupidez de ter entrado naquela curva àquela velocidade e agora tinha morrido!
Sussurrou quando atendeu.
“Está lá? Está lá alguém? Dr.ª Filipa?”
Sacudiu a cabeça quando ouviu a sua voz; soava-lhe estranha. Não era mesmo nada parecida com a voz que ela se ouvia quando falava, mas isso era normal, até custa a acreditar que é a nossa voz quando a ouvimos gravada, mas aquela era realmente muito estranha. Para já, era uma voz forte, de homem, e soava estranhamente familiar…
“Dr. Luís??”
“Estou. Dr.ª Filipa? Sim, sou eu, o Luís Mestre, parece-me que trocámos os telefones…”
Não conseguiu prender um risinho nervoso, que ele, do outro lado não percebeu. Antes que enlameasse mais o seu já de rastos amor-próprio do que os guarda-lamas do carro, apressou-se a falar o mais coerentemente para lhe explicar o que acontecera e porque soltara aquele risinho de teenager esgrouviada.
“Peço desculpa Dr. Luís, acabei de ter um acidente, e…”
“Como? Um acidente? Mas… a Dr.ª está bem, não está ferida?”
“Não Dr., felizmente estou bem obrigada. Já do meu orgulho é que não posso dizer o mesmo; despistei-me e saí da estrada. Só que estou no meio duma fazenda no meio de nenhures e não se vê vivalma nem passa carro nenhum. Ia a pegar no telemóvel no exato instante que o Dr. ligou e apanhei um susto que nem queira saber…”
“Bem, que história! Então e agora? Quer que avise alguém? Que chame o pronto-socorro? Em que posso ajudá-la? Onde está?”
“Estou ao fundo da reta do aeródromo de Cascais. Não sei se sabe onde é…”
“Quer que eu avise alguém?”
A forma clara como ele fez a pergunta, fê-la aperceber de que ignorara a primeira vez que ele perguntou. Sem acreditar no que a boca verbalizou, e menos ainda no tom seco em que o fez, respondeu.
“Não.”
“Eu vou para aí. Até já.”
Segundos depois viu o visor do telemóvel acender-se com a aplicação que o localizava. Ele guiar-se-ia pelo sinal de GPS e vinha a caminho.
Para quê?
Imaginou-o ao volante. Viu-lhe os olhos atentos e as mãos fortes a agarrar seguramente o volante, imaginou o seu carro um daqueles carrões grandes e potentes, dos que passam a voar baixinho na autoestrada e faziam o Smartzinho abanar com a deslocação de ar que provocavam. E sentiu o pensamento travar a fundo com um chiar agudo quando passou à imagem das mãos dele. Não eram mãos de advogado; eram de atleta, eram enormes e os dedos eram esguios, porém fortes.
Fechou os olhos, para melhor os ver. Ocorrera-lhe, durante a reunião de que eram dedos de pianista, e agora ali, na completa escuridão – desligara o motor e as luzes, não fosse passar alguém conhecido e inviabilizar aquele tão lesto e empenhado salvamento – levou uma mão ao pescoço e fez-se uma massagem a si própria imaginando como o toque da dele a faria tremer até ao centro da sua alma. Experimentou dizer o nome dele baixinho, para ver como lhe soava em modo intimista e sem o dê érre a apitar à frente
“Luís… Luís Mestre…”
Sentia o paladar daquelas palavras na língua, e ficou a saboreá-las até que se lembrou do estado deplorável em que se lhe apresentaria quando chegasse ao ultramar de lama alcatrão! Lembrou-se que tinha uns ténis na bagageira – pronto, no porta-luvas traseiro – do Smart. Esticou-se e chegou a um, e estava a tentar pescar o outro, usando a caixa dos óculos como extensão do braço quando viu uns faróis ao fundo da reta. Lá o conseguiu arrastar o necessário para o conseguir pegar precariamente entre o indicador e o médio. Trouxe-o para junto do irmão gémeo, e calçou-os.
Entre dois quilos de lama agarrada a cada um dos Prada, e o que lhe restava de mínima compostura vir a arruinar-se quando lhe aparecesse com uns ténis velhos rosa choque que conjugavam com o saia-casaco escuro e camisa branca como uma bola de espelhos sobre um caixão, que se lixasse a compostura!
E sempre era ele que lá vinha. Parou na berma, iluminando-lhe o caminho com os faróis apontados, e ficou a observá-la naquele equilibrismo delicado no trilho estreito das rodas que o carro fizera ao alisar as levas e os torrões de terra lavrada.
Felizmente parara de chover, o que lhe preservava um mínimo de apresentação, ou senão os seus caracóis pareceriam um penteado afro à anos setenta!
Ele saíra do carro e aguardava-a. Recebeu-lhe a pasta e o saco do computador; fez umas contas de cabeça ao tempo que passaria de cu para o ar a limpar aquele carro de mão de lama que ela deixaria no tapete se entrasse assim para o carro, mas não disse nada. Abriu a porta de trás do lado dela e pôs lá as tralhas dela, abriu-lhe a porta e nem quis ver o desastre que se seguiria. Deu a volta ao carro e entrou.
Foi a vez dele se perguntar o que raio se tinha passado ali, quando em vez do lamaçal, ela tinha aqueles sapatos pretos de salto alto que o lhe vira quando ela entrara na sala de reuniões, quatro horas antes, e que lhe desenhavam os gémeos e aqueles dois centímetros de coxa que a saia deixava adivinhar, como se torneadas no mais sublime dos engenhos, às mãos do mais exímio torneiro!
Nunca se viria a aperceber que ela, conforme se sentara no carro com as pernas de fora descalçara os ténis lá fora e enfiara os Prada que tinha na mala.
“Dr. Luís, que maçada. Não sei como agradecer…”
“Eu sei! Pode começar por deixar de me tratar por doutor. Trate-me, que eu gosto muito do meu nome, por Mestre!”
Ficou a olhar para a cara dela aparvalhada, que à espera de o ouvir dizer Luís, já se preparava para retribuir, pedindo-lhe para a tratar por Filipa. Contudo ele não manteve a seriedade por mais tempo.
“Desculpe-me, mas ter um nome destes e não aproveitar esta piada seria um desperdício, não acha?”
“Eu sei lá, depois do que tem sido este fim de dia, eu já nem sei o que pensar nem o que achar nem nada. Mas pronto, apanhou-me!” Olhou para ele por cima dos óculos, com aquele ar de executiva séria que dava com os homens todos em malucos e acrescentou. “E como me salvou, acho que isso me faz, de alguma forma sua escrava, não?”
“De alguma forma, sim!” sacana, não desarmou. “E vai começar por ter que me acompanhar a jantar; Sushi, gosta, não gosta?”
“Adoro. Onde?”
“No Château Maître!”
“Ahhh… pois claro, pois então!”
Ligou para não sei onde e deixou-me pasmada!
No meio daquela algaraviada que identificou, pelo Konbanwa ao início e pelo Arigatô final, como japonês. Na escala de primeira impressão, onde no um se liga para a telepizza, onde ficará o encomendar sushi? Seguramente no dez! pois… e se o telefonema for todo feito em japonês? Há de ser coisa para rebentar com qualquer escala!
Levou a mão ao bolso do casaco, tirou o telemóvel e estendeu-lho. Ela pegou-o e devolveu o dele.
Nos vinte minutos que demoraram até casa dele, um apartamento que devia ser preciso um mapa para não se perderem lá dentro, bem no centro da Lapa, ele ficou a saber o pouco que precisava dela, e ela o nada que queria saber acerca dele. Já para não falar que, embora mal, era casada, havia a questão ética da complicada negociação em que representavam ele um gigante da farmacêutica e ela um importador que tinha saído lesado com uma remessa que apresentava um defeito no embalamento.
Em disputa estava um acordo em que um não queria pagar e o outro não queria deixar de receber, e o montante era qualquer coisa que rondava um milhão e meio de Euros.
Ela saíra da reunião com a nítida sensação de estar por cima em termos de posição negocial, mas agora, os papéis tinham-se invertido drasticamente.
Ele era casado. A mulher era japonesa, um quadro superior dum dos maiores fabricantes automóveis nipónicos, e passava uma boa parte do ano no Japão, e o apartamento era ele próprio um pedaço do país do sol nascente. Sem cerimónias, o Luís informou-a de que podia usar a casa de banho do quarto de hóspedes. 
Despiu-se e entrou no duche. Parecia agir como se debaixo de alguma hipnose, mas não estava. Limitava-se a deixar-se viver momento após momento. nem se deu ao trabalho de trancar a porta da casa de banho, fechou os olhos e imaginou o que faria se ele ali entrasse: nada, não faria rigorosamente nada; se ele ali entrasse seria porque queria vê-la, ou o que quisesse para além disso. E ela deixá-lo-ia. Ela queria sentir o poder da subjugação. 
Sobre a cama estava um quimono, e nada mais! Ele nada dissera que fosse para ela vestir, mas só podia. Tomou um duche rápido, secou o cabelo meio à pressa e ficou com um ar tremendamente sexy.
O toque do material sobre a sua pele deixou-a nervosamente sensível. Sabia que a roupa devia ser da mulher dele, mas uma vez que o mais que certo é que acabaria por usar o que iria usar do marido, usar o vestido era simplesmente irrisório!
Olhou-se ao espelho e sentiu-se mais feminina do que alguma vez se sentira fosse com que lingerie fosse!
Ia a sair do quarto quando ouviu vozes. Entrou na sala e deparou-se com dois empregados vestidos a rigor, japoneses. A mesa de jantar desaparecera, e no seu lugar estava uma baixinha e estreita com umas almofadas de cada lado.
O lume crepitava na lareira, e ele instruiu qualquer coisa aos empregados em japonês, que se despediram reverentemente como pelos vistos era mesmo habitual, e não uma coisa mais exacerbada nos filmes.
Estavam enfim sós.
A ocupar a mesa toda, arrumadinhos em filas milimetricamente alinhadas, todas aquelas formas de sushi e sashimi e uma garrafa de forma bizarra que só podia ser saquê.
A Filipa esperava que ele também estivesse de quimono, mas não. Estava como o tinha visto, alargara a gravata, arregaçara as mangas da camisa e simplesmente tirara os sapatos.
Jantaram lentamente, conversaram de tudo menos de trabalho, e de casamentos. Tudo isso pertencia ao mundo e eles tinham saído dele, por algum tempo; tempo que seria deles e só deles. Todos queles sabores exóticos e controversos ao paladar, mas que no final deixam aquela saudade que só quem aprecia verdadeiramente entende foram delicadamente retidos. Já passava das onze quando ele se levantou, rodou a mesa e ajudou-a a levantar.
Sem palavras, ele guiou-a ao quarto. Duas molduras deitadas impediam que os olhos da mulher vissem de que forma fosse, quando ele se chegou por trás dela e lhe prendeu o cabelo para lhe descobrir aquele ponto, entre a nuca e a orelha, que quase o tinha impulsionado no corredor do escritório a agarrá-la, para lá a beijar.
Ela esperava que ela a despisse, mas ouviu o som de roupa a roçar noutra, percebeu o que era quando ele lhe aproximou a gravata da cara e a vendou.
Não sabia muito acerca de gueixas, mas pelo pouco que sabia, seria o que a elas mais associava: a total e completa submissão.
O Mestre abriu-lhe o quimono, e ela sentia-se ainda mais exposta, do que se estivesse completamente despida. Sentiu-lhe a mão subir-lhe daquela linha onde começam os pelos púbicos, lentamente sentindo-lhe a forma ligeiramente arredondada – mas terrivelmente sedutora – da barriga dela. Quanto ele não lha quisera conhecer com as mãos, tão perfeitamente encaixada na sua saia de executiva que lhe parecia a das fardas de gala das soldados Femininas, durante as horas que ela o tinha cilindrado!
Agora conhecia-a por fim! E os peitos dela… pareciam mangas a rebentar de maduras! Grandes, muito maiores do que à partida se suporia pela delicada compleição dela, e principalmente pela sobriedade da roupa com que a vira na reunião, mas ele, habituado ao que é um corpo de mulher, não se surpreendeu. Tocou-lhes ao de leve e ela estremeceu.
A Filipa sentiu-lhe os dedos roçarem-lhe pescoço acima e acompanharem a curva suave do seu queixo. Sentiu-o força-lo ligeiramente de modo a que ela abrisse a boca.
Ela mantinha-se de braços esticados ao longo do corpo, mas aí não resistiu a querer tocá-lo; ele ficou fulo.
“Quieta mulher!” Sentiu-se puxada pela nuca ao encontro da cara dele. O arrepio que lhe começava a passar do berro prévio, foi reavivado multiplicado por dez quando lhe sentiu o roçar da barba de três dias impecavelmente aparada.
“Responde-me quando eu falo contigo!”
“Sim.”
“Sim?! Sim?! Com quem pensas que estás a falar? Responde como deve ser; agora! JÁ”
“Sim… M…Mestre!”
O sabor que o nome lhe deixara na língua, quando à espera dele no carro, fantasiara com algo que já tinha a certeza, acabaria por acontecer, não tinha nada a ver com o que agora sentira ao dizê-lo, mas ao mesmo tempo, era o que de alguma forma melhor colava com ele. Era como se fosse o mesmo sabor mas com um toque de wasabi, e o resultado era surpreendentemente similar, pelo exotismo, que aqulele provoca nas papilas!
“Quero ouvir-te dizê-lo com convicção; não a gaguejar!!!”
“Sim, Mestre!”
Estremeceu toda por dentro. Nunca se sentira tão vulnerável em toda a sua vida. Ali estava, despida à frente dum desconhecido, ninguém sabia onde é que ela estava, e reafirmava-lhe a completa e incondicional submissão. Sentiu os peitos enrijarem ainda mais e os mamilos quase doíam de tão enrijados pela tesão que de repente sentiu humedecer num pingo escorrido para a parte interior da coxa esquerda. Uniu as coxas de modo a esfregá-las uma na outra; teve a esperança de o fazer sem que o mestre reparasse. Deu-se mal; não conseguiu, e ele agarrou-lhe a mama direita com força, deixando-a descobrir a indescritível força dos seus dedos longos.
A outra mão pegou-lhe então na cara, e com o polegar, correu-lhe os lábios a toda a volta. Insinuando-se entre eles, fê-la entender que a queria de boca entreaberta, e deslizou o polegar entre os dentes até que o sentiu tocar-lhe na língua. Fê-lo entrar e sair da boca dela até que ela arriscou a unir os lábios à volta e o começou a chupar. Sentia-lhe a respiração no pescoço, e o corpo que ele irradiava do corpo, sentia-o na pele.
A mão que lhe esborrachava a mama largou-a e sem aviso plantou-se impudica sobre a sua pelagem criteriosamente aparada; cobria-a toda e a ponta dos dedos deslizaram sem resistência entre os lábios exteriores e tocavam-na sensitivamente nos pequenos. Sentia-a pronta, deserta por mais. Aquilo sim, era ter poder sobre uma mulher. Fazê-la entregar-se completamente aos seus caprichos. E tão excitada que não só deixava fazer tudo como implorava que fizesse ainda mais. Ainda que não o fizesse com palavras da boca de cima, a de baixo, na língua universal confessava-se pronta a servir para o que milhões de anos de evolução tinham preparado o corpo duma mulher.
O peito dela subia e descia cada vez mais ofegante. Cada vez mais ávida de estímulos, viessem eles de onde viessem!
Tinha contudo, de se contentar com o que ele lhe concedia.
Pelo lado dele, estava quilhada; não seria cedo que Luís a apaziguaria. Nunca vira uma mulher como ela, com aquele fogo contido no olhar, com aquela necessidade de submissão que se lhe via nas subtis revelações inconscientes durante toda a tarde. Por detrás daquela impenetrável negociadora, ele vira a fêmea que, oprimida, gritava a revolta de mais não aguentar.
Acabara por resultar ainda melhor do que alguma vez planeara ao trocar o iPhone com o dela. Ele planeava forçar um encontro pouco depois de ela sair do edifício, mas aquele pancona do Guimarães tinha que vir com aquelas paneleirices da festa surpresa à D. Susana, e precisava porque precisava mesmo do ficheiro que ele tinha onde? Pois; no iPhone!
Era cedo demais, arrasaria toda e qualquer hipótese de fazer fosse o que fosse no sentido de a convencer a estarem a sós. Voara ao escritório, ligara o computador e abrira a nuvem para descarregar o maldito Excel.
O plano inicial era ligar-lhe uns quinze minutos depois de ela ter saído da reunião, e quando o conseguiu, três quartos de hora depois, receou que ela já tivesse chegado a casa, fosse lá onde fosse. Só sabia que ela morava para a zona do Estoril, mas tudo acabara por correr maravilhosamente bem: ali a tinha, à sua completa mercê.
“Ajoelha-te!”
Ela obedeceu prontamente.
“Mantém as mãos atrás das costas”, agarrou-lhe nos cabelos com força para lhe inclinar a cabeça de lado, para que o ouvisse bem. “E nem penses mexê-las!”
“Sim Mestre.”
“Linda menina.”
Chegou-se a ela, por trás, com que ela o ouvisse a abrir o cinto. Tirou-o, não podia esperar por lhe fazer o derradeiro teste: dobrou-o ao meio, e enfolou-o de modo a, quando afastou os braços com força ele estalou violentamente com um baque inconfundível. Ela estremeceu ao som. Mas não se mexeu.
Repetiu, agora mais perto dela, e nada. Para além duma cada vez mais ansiedade patente na respiração, a Filipa nada fez para fugir, ou para se desvendar, ou para que ele parasse.
Assim sim! Ela vivia aquilo simetricamente à forma como ele o vivia.
E a sua boca, ela enlouquecia-o com aquela boca de sonho. Fizera-o sentir mais no polegar do que toda e qualquer outra mulher alguma vez conseguira a mamá-lo.
Enfiou-lhe o indicador, e depois o médio pela boca dentro, à bruta! Queria ver até onde é que ela ia, e ela lutou contra ela mesma de forma a não o desagradar. Ela era sua escrava; se ele lhe queria enfiar os dedos na boca ela dar-lhe-ia a boca toda para ele explorar.
Esperava só que, depois de a explorar como bem entendesse, lhe concedesse um pouco de atenção; ele sabia como aquilo a estava a excitar. E se se portasse bem, talvez depois a deixasse libertar aquela energia toda que acumulava sob a forma da mais explosiva fome.

(continua)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Fome de Corno! Por Rosa Mateus

Eu nem quis acreditar quando abri o mail há pouco, e vi este presente!

A mais linda surpresa que eu podia receber, para celebrar as 700 visitas!

Obrigada querida amiga, só tu!



Fome de corno!
por Rosa Mateus

Olá, chamo-me Fernando, tenho 39 anos e, sei-o visceralmente, sou cornudo!
A Dulce, minha mulher há dez anos, tenho a certeza de que me anda a trair. Nunca vi nada de concreto, mas um homem sente certas coisas, e um valente par de cornos – acreditem – sente-se de sobremaneira.
São certos detalhes, olhares, atitudes que me deixam sempre alerta, para quê não sei, mas deixam-me permanentemente atento a ver se descubro. O que farei com essa descoberta não sei. Eu amo a Dulce e simplesmente não consigo imaginar a minha vida sem ela, e sei que ela me ama também.
Como posso ter isso como certo, se ela tem outro? 
Como eu disse, há coisas que um homem sente!
Às vezes dou por mim a pensar nela, no que andará a fazer e, Meu Deus, as coisas que me passam pela cabeça. Visões dela com outro homem, num quarto dum hotel, no banco de trás dum carro num descampado qualquer, sobre um capot no meio dum pinhal são apenas alguns exemplos.
O, mais do que possível, provável homem com quem ela partilha o que, frente a duzentos e quarenta e cinco convidados, um padre e a Deus, ela se comprometeu a manter meu e só meu – o seu foder – é o que foi o seu primeiro e que ela faz questão de manter sempre como alguém muito especial. A forma como ela o faz, chega a ser retorcida e calculadamente como uma autêntica cabra!
Nós conhecemo-nos quando ela deu aulas aqui no Entroncamento. Chegara ao limite de suportar a relação com esse tal S, que se resumia a uma constante montanha-russa de permanente alternância amor-ódio, desde que tinham começado a namorar ainda na escola andava ela no 10º ano e o apanhou quando ele repetiu a cadeira de Matemática na turma dela.
Segundo ela me contou na altura, o que a atraia mais nele era o que mais raiva lhe dava. Ele era extremamente possessivo, não a podia sequer ver a conversar com ninguém, mas quando ficavam sozinhos ela percebia que toda aquela possessão se devia a uma única razão: ele amava-a mais do que à própria vida, e mostrava-lho através da forma como fazia amor com ela. Por mais distante que ela se tente – tentasse, que já há muito deve ter percebido que não consegue – mostrar já longe do que isso mexia com ela, eu sempre percebi que “aquele lugar muito especial” era um lugar onde ela, mentalmente voltava mesmo que não quisesse, mesmo que o quisesse duma vez por todas tirar da cabeça e da pele, mesmo que desejasse num tudo por tudo que a nossa relação resultasse.
Aprendi a viver com isso, afinal cada pessoa é como é devido a tudo o que viveu, certo?
Mas uma coisa contudo eu sempre soube: de tempos a tempos, eles falavam. Ia-o sabendo porque ela me dizia que ele lhe tinha ligado, para saber como ela estava, falavam dos miúdos dele, ele dizia-lhe o tremendo incómodo que ela representava para a mulher dele, que se sonhasse sequer que eles falavam que seria a queda do Carmo e da Trindade. Segundo ela, isso era a desculpa para ser sempre ele que a ligar; como se, por um lado isso interessasse realmente para alguma coisa, ou se, se realmente assim fosse, não houvesse uma periodicidade muito mais frequente do que a semestral como ela me contava que acontecia.
Com o tempo, passei a lidar com as voltas ao estômago que sentia ao princípio, passando-as um pouco mais para baixo: para o meu baixo ventre!
Fui sentindo o processo, e de cada vez que sem o conseguir evitar, pensava na eventualidade de algo se poder passar, mesmo que não passasse duma profundidade maior de sentimentos residuais que eles ainda nutrissem um pelo outro, sentia-me menos revoltado, e mais excitado.
Processo este que foi demorado, que esta coisa dos cornos não é coisa que nasça assim de qualquer maneira, levou uns quatro ou cinco anos a acostumar-me à ideia de os poder ter, e depois mais uns dois ou três a acostumar-me ao seu peso.
Quando já os suportava confortavelmente, comecei a desfrutar deles. Começava no próprio dia em que ela me dizia que tal dia teria uma reunião na escola, e que seria uma chatice, pois teria que lá ficar até tardíssimo, coisas desse género.
A comichão nas minhas frontes estendia-se ao interior da minha cabeça que rapidamente fazia umas contas de cabeça e calculava daquelas horas todas que ela falava – geralmente essas reuniões eram sempre ao fim do dia em que não tinha aulas da parte da tarde – dava perfeitamente para ir até uma das cidades vizinhas, fazer o tivesse a fazer durante uns bons pares de horas – e regressar ao Entroncamento com a barriga cheia de saudades mortas do ex-namorado.
O efeito, foi-se começando a notar nessas noites anteriores, em que eu, inconscientemente, tentava pelo menos igualar ou aproximar-me do que eventualmente ela viesse a sentir no dia seguinte; e prolongava-se na noite seguinte quando a imaginava de regresso do tal hipotético parenteses da vida real que eu imaginava que ela ia abrindo e fechando, contendo lá dentro aqueles momentos só dela e do seu primeiro homem.
Talvez pelo peso dos adornos, tudo aquilo acabava por fazer sentido: afinal, ela agora era minha porque queria, porque o tinha deixado, e era a mulher que era porque assim ele a tinha feito; a distorção da realidade ia ao ponto de eu ainda, no fundo, me sentir profundamente agradecido cá no meu íntimo ao excelente trabalho que ele fizera.
Em suma, aprendi a lidar com a situação como quem compra um carro novo e sabe que uma tarde ou duas por ano ele tem que voltar à origem para verificar se está tudo como deve ser, se está a ser devidamente tratado e estimado.
Felizmente, sempre resisti a cair no erro tão comum de tantos homens por esse mundo fora, convencidos de que é com a força e brutidade que mostram a sua força. Nunca me pus a aprofundar as minhas suspeitas, nem sequer a controlá-la minimamente; por um lado porque sabia que se o fizesse, fodia tudo entre nós – afinal tinha sido isso que a afastara do gajo – pois se havia coisa contra que ela estava vacinada era a ciúme doentio; por outro porque, objetivamente, nunca vira a menos razão para não confiar nela, nem mesmo quando ela regressava das tais reuniões/supostas-tardes-loucas-de-mulher-casada que eu imaginava; e por último porque tinha um sério receio de que tudo afinal não passasse de um enorme e indescritível: Nada!
Um nada se passar, desmoronaria todo aquele castelo que já não era só castelo, mas um castelo, cidadela, muralhas, pontes, rios, igrejas, pastores, reis e ovelhas, que já mais parecia um presépio com um castelo de cartas, que eu construíra na minha fantasia.
Aos poucos, fui revelando a minha abertura de mente, comprei uns dildos em sex-shops online, e fazia-os aparecer convenientemente no meio da cama quando e sentia já totalmente incendiada.
Da primeira vez, foi um pateticamente pequeno. Tinha vibração, e eu, caindo naquela velha esparrela de que o tamanho não importa, achei que seria o indicado para não a assustar; assustá-la!, como se alguma mulher se assuste com um valente e apresentável instrumento desde que seja usado convenientemente.
A sua disfarçada desilusão fez-me logo no dia seguinte voltar ao site e encomendei logo, pelo sim e pelo não mais três: um médio, mais ou menos no meu tamanho; um maiorzito, do tamanho que eu não me importaria de ter, e um XXL, o derradeiro tira-teimas que, se ela o suportasse, acabaria de vez com a sua insistente necessidade de me tentar convencer de que se eu fosse um pouco maior não seria bem melhor. Enfim, coisas de gajas, adiante!
Passei a, ciclicamente, porque nem sempre a sentia para aí virada - e verdade seja dita nem eu – ir incluindo aquela brincadeira nas nossas sessões de sexo, que nunca tendo sido insonsas, foram cada vez ficando mais e mais animadas. Mas de há uns tempos para cá, e principalmente desde que ela ficou desempregada, o clima tinha ficado um pouco para o não presta; tanto que a mala onde guardamos os ditos “jogadores suplentes”, a última vez que fora desarrumada, tinha sido por altura da passagem de ano.
Fora, porque foi-o a semana passada!
Eu cheguei um pouco mais cedo a casa do que costumo. Entrei como entro sempre, fechei a porta e como não a senti em casa, fui direito à cozinha e servi-me dum copo de água. Estava a bebê-la e pareceu-me ouvir alguma coisa, quando tirei o copo da boca, e ia para a chamar, ouvi-a clara e distintamente a gemer como só o faz quando se vem: começa num gemido longo que vai subindo e subindo de tom até terminar com o que parece uivo de loba em noite de lua!
Gelei da cabeça aos pés! Aquela valente puta estava na cama, a ser magistralmente fodida; restava saber por quem… E se ela berrava!
Pé ante pé, fui até ao quarto. A porta encostada deixava uma conveniente frincha por onde consegui vê-la: deitada de costas na cama, de olhos fechados, com o tal tira-teimas gulosamente enterrado até ao par de colhões a fingir que lhe serve de base. Estava possuída! Acabara de se vir e já retomava a lavoira daquela sua racha que agora mais devia parecer um algar, com uma fúria como eu nunca me atrevera a escarafunchá-la quando era eu a usar um dildo nela – mesmo quando era o outro, dois tamanhos abaixo. Num ou dois minutos no máximo, veio-se novamente.
Nem ela própria se deve ter dado conta, mas no meio da palavras desanexas, dizia o meu nome, se eu gostava, se era assim, ou assim que eu gostava de a ver a ser fodida; ela estava a fantasiar que o dildo era um outro homem e que eu estava a assistir!
A minha primeira vontade foi a de irromper quarto adentro e fazê-la engolir aquelas palavras; não sei bem o que queria conseguir com isso, agora à distância talvez fosse algum poder sobre ela, e é isso que me faz reconhecer quão estúpido, agora; o poder que eu queria ganhar seria para que ela fosse ainda mais minha, quando em concreto ela nunca, nunca me dera a mínima ideia do contrário, e tudo aquilo não passava das minhas tretas de marido encornado.
Mas o que é que eu para aqui estou a dizer? Que ela mantinha a sua ligação ao ex-namorado era incontestável, e eu só não sabia mais porque não calhava! E nada, por mais que nunca a tivesse apanhado a mentir, também nada me garantia que não fosse pela sua inteligência.
Resolvi ir por outro lado: deixei-a sossegar e voltei para ao pé da porta da entrada. Se ela por acaso se levantasse, fingiria ter acabado de chegar e estaria de pé a ver um qualquer folheto que tivesse na caixa do correio. Não precisei de fingir nada, ao fim duns minutos, como nada se ouvia do quarto, estranhei, esperei ainda mais um pouco e lá voltei outra vez à porta do quarto. Aquela maluca, de tanto se ter vindo, deixara-se adormecer. O ar de saciação na cara dela dizia tudo, não podia estar mais satisfeita, e eu, com o olhos pegados naquele barrote que agora jazia inanimado entre as suas pernas, ainda a brilhar do seu muco vaginal, só conseguia imaginar o estado em que ela teria aquela vagina; devia estar tão aberta que eu dentro dela pareceria o badalo a abanar no meio dum sino.  
Deixei-a dormitar mais uns minutos, voltei a abrir a porta da rua, bati-a como se viesse a chegar e chamei-a como faço normalmente.
Dei-lhe mais uns momentos para lhe dar tempo de fazer o que tivesse planeado, e foi sem surpresa que a vi retirar disfarçadamente a mão de debaixo da almofada, onde seguramente devia ter escondido o seu companheiro de aventuras solitárias. Disfarcei não reparar no canto da mala das maravilhas que eu não podia evitar de ver, embora estivesse do outro lado da cama, e mostrei-me naturalmente preocupado com o facto de ela estar deitada àquela hora.
Respondeu-me que tivera uma dorzita de cabeça, mas que entretanto já passara. Ficou convencida de que eu acreditara e fomos preparar o jantar.
Como amor com amor se paga, se ela me mentira em tinha todo o direito em fazer-lho também; durante o jantar fiz-me de cansado e com uma vontade daquelas de cair na cama e descansar o esqueleto. Sempre queria ver o que é que ela fazia.
Assim que nos deitámos voltei a referir que estava realmente moído; foi a prova de fogo, e ela passou com distinção quando me ronronou:
“Amorzinho, eu quero-te!”
“Mas o que te deu hoje?”
“Nada. Estou excitada, deve ser por causa do texto que estou a analisar… toca-me e sente como eu estou!”
Ok! Fazia sentido; quando a senti alagada nos seus fluídos espessos e viscosos, da sua tarde de suruba solitária, fiquei doido. Quis ver mais de perto o que senti com os dedos. Desci por dentro da cama, e ela – sabendo aonde ao que ia, facilitou: abriu bem as pernas escancarando-se toda. Quando aproximei a língua da sua boca de baixo, acomodei-me como que a assegurasse não tencionar ir a lado nenhum nos próximos tempos.
O seu cheiro a cio foi intoxicante; era um cheiro intenso e refinado que por si só me entesava todo. Não fazia ideia do que é que ela lá quisesse dizer com a história do texto, mas alguém escrevera algo capaz de deixar uma mulher assim tão excitada, a ponto de se entregar ao prazer como só um homem normalmente faz, macacos me mordessem se eu não queria também ver.
 “Dulce?!”
“Sim amor?”
“Que se passa contigo? Que andaste a fazer esta tarde?”
“Porque perguntas?”
“Porque estás toda alargada e vermelha… como se tivesses passado a tarde inteira a foder…”
“É mesmo amorzinho? E se tivesse? Se eu te dissesse que sim, que estive a tarde toda a transar, ficarias zangado?”
O ar desafiante dela deixou-me com receio de ter ido longe demais. Senti-a retraída; deve ter ficado assustada com o facto de eu poder desconfiar do que quer que ela tivesse estada a fazer durante a tarde. Parei e fiquei a olhar para ela com ar inquisidor, como se tentasse perceber o que raio se estava ali a passar. Puxou-me a si, e não consegui disfarçar o tesão que me devia incendiar o olhar; tentei evitar que me sentisse a rigidez que me denunciaria, mas acho que ele mo sentiu não obstante.
Isso deve-a ter sossegado um pouco e envolveu-me entre as coxas, ajeitando-se debaixo de mim, agora bem mais confiante do que segundos antes. Então, com um decidido e certeiro impulso, empalou-se completamente no meu pau, fazendo-me enterrar por ela dentro até aos tomates ficarem espalmados conte o seu rabo.
Nunca a sentira assim, a sua cona parecia uma taça de papa mole e quente, estava completamente lasseada; e fiquei doido. Fodi-a com raiva. Tudo o que eu tinha em mim de macho, apliquei-o naquela foda que a fez alucinar de prazer.
Nem quando me sentia mais enraivado com o saco de boxe onde regularmente dava uns socos para me livrar da tensão do dia a dia, o fazia com mais raiva, eu queria desmanchá-la ao meio à conta daquela foda.
Acho que queria acima de tudo arrancar-lhe aquele ar de luxúria e de volúpia estampado na sua cara, tal era o prazer que ela estava a sentir – foi aí, mais uma vez, que senti falta duma arma de maior calibre, mas aquela teria que fazer o serviço – só teria que disparar umas quantas vezes mais, e usar de outros artifícios; os que só quem tem um coiso dum tamanho normal percebe: ferrei-lhe os dentes no pescoço!
Tanto deve ter resultado que a fiz vir-se com um grito que aposto que se deve ter ouvido até ao outro lado do Entroncamento.
Deixei-a recuperar uns segundos para voltar a ganhar fôlego, e ela perguntou-me:
“Ai amor, assim matas-me de prazer. Todo esse tesão é porquê? É por aquilo que te disse? É pela ideia de que eu possa ter estado com outro? Outro homem que passou a tarde a comer-me? À tua mulherzinha? É?”
Se não tinha respondido, aí é que não podia ter respondido mesmo; com uma última estocada que me levou mais dentro dela do que nunca fora antes, enterrei-me todo e parei: vim-me num, e noutro, e noutro, e noutro e ainda num outro espasmo naquela que foi de longe a mais violenta esporradela de que tinha memória desde que me iniciara na maravilhosa arte da auto infligida glória solitária e na posterior atividade sexual acompanhada. É exagero, mas senti os tomates a esvaziarem-se de tal maneira que imaginei que encheria uma garrafa de 33 cl até ao gargalo!
Quando acalmei, tentei sair, mas ela não deixou. Sussurrou-me ao ouvido:
“Eu amo-te. Nunca estaria com outro homem, e tu sabe-lo bem.”
“Eu também te amo…”
“Meu Deus! Tu ficaste louco, foi por aquilo que eu te disse?”
“N..não, não sei… talvez. Foi forte! Imaginar outro homem contigo foi como um ferro em brasa na minha cabeça.”
“Mas deixou-te assim como te deixou…”
“Onde foste buscar essa ideia?”
“É do texto que eu estou a trabalhar. Lê-lo deixou-me assim.”
Contou-me a história, e perguntei-lhe se estava assim tão alargada só da excitação e a aflição fê-la engasgar um pouco; senti-lho uma rendição no olhar.
“Não. Eu estava tão excitada que me masturbei; mas ainda foi pior. Eu precisava, precisava demais de me sentir bem comida, e fui buscar a nossa mala. Eu não estava em mim, de tão excitada que aquela história me deixou.”
“A mala? Mas tu nunca achaste grande graça aos brinquedos…”
“Nunca. E nunca pensei vir a fazê-lo. Mas como a R diz no seu livro, nunca se deve dizer nunca…”
“E como foi? Qual usaste?”
“O grande… aquele que me deixava desconfortável, mas que hoje, como eu estava foi o melhor que tu podias ter comprado para mim.”
Afinal, não fora nada daquilo que eu ainda esperara, mas mesmo assim, deixou-me novamente a pontos de partir pedra à paulada!
Ia para a montar novamente, mas ela fez-me parar.
“Dá-me prazer com a tua língua.” Não foi nem um pedido, nem uma ordem; foi uma imposição suplicada!
Nunca gostara muito de o fazer após me ter vindo, não era nem pelo sabor nem pelo que representava, simplesmente não lhe via grande sentido daquela forma: via-o sim como um preliminar. Mas da forma como ela me fez sentir que queria, e eu não podia arriscar abrir um antecedente que lhe desse a justificação duma próxima vez que eu lhe pedisse que me acarinhasse com a sua língua as minhas partes furibundas.
Atirei-me à empreitada apostado em proporcionar-lhe o minete da vida dela!
Ela estava cheia até às bordas, e o simples toque da minha língua fê-la piscar tão fortemente que até espichou um pouco de esporra para a minha cara. Imaginei que ela assim estivesse por fantasiar alguma coisa mais extrema; por exemplo – e isso fazia tudo ganhar uma outra dimensão e sentido – que toda aquela esporra fosse proviesse daquele caralhão descomunal em que ela se acabara durante toda a tarde!
Voltou-me a atacar em força a minha velhinha fantasia-temor; como se aquele brinquedo de gente grande não fosse nada mais nada menos do que um urgente e único remédio face à sua implacável vontade de matar saudades do outro!
Engoli em seco mentalmente imaginando o outro do tamanho do brinquedo; excitado como estava, nem sequer me preocupei com a triste figura que eu andara a fazer durante todos aqueles anos que passáramos a foder- aliás, o que me veio à ideia foi precisamente o contrário: esperei que sim! Que já que era para ser, que fosse em bom.
Resisti, sei lá como, para não lhe levantar a lebre e deixá-la de pulga atrás da orelha, a pedir-lhe o seu acompanhante da tarde, e deleitei-a com a mais esmerada amostra de paraíso lingual.
Dei por mim a gostar realmente daquilo, e deixei-me afundar ainda mais; já não era a minha esporra que eu sorvia e aproveitava para a encharcar ainda mais enquanto chafurdava que nem um alarve naquele rio de prazer que escorria da sua intimidade. Levei-a àquele ponto em que uma mulher se vem sem parar umas vezes atrás das outras, até que não consegui segurar-me mais: tinha que me sentir novamente naquele barroco de fogo intenso, e subi por ela acima que me recebeu ainda meio grogue  

A sua fome assegurou-me de que aquilo era uma fantasia sua também. Não mo disse, mas também não precisou. Eu conhecia-o bem demais para saber que aquele caminho nos levaria por viagens intermináveis de prazer e tesão.
Tinha a minha boca, e toda a cara chias de nós, e ela quis também provar do nosso prazer. Acabámos por nos devorar um ao outro enquanto, estocada atrás de estocada, sentindo a consistente construção do mais vertiginoso orgasmo conjunto, nos fomos preparando para o grande momento.
Dizer que foi mágico, além de meio amaricado, fica aquém do que foi, mas vocês percebem-me.
Quando final e inevitavelmente caímos completamente estafados, ficámos a olhar um para o outro; a ver o quanto aquilo nos tinha aproximado – ainda mais do que sempre fomos!
Adormeci a magicar numa forma de, pelo menos incentivar a levarmos mais longe aquela nossa fantasia; mais no sentido de, pelo menos a fazer assumir-me que gostaria da ideia de que outro homem a fodesse à minha frente, afinal eu comecei por assumir que sou cornudo, ou não? E um cornudo não fica cornudo quando a mulher lhe põe os cornos; já nasce cornudo!
Depois, é uma questão de ter a sorte de encontrar a mulher certa para fazer o resto! Só tinha era que fazer as coisas de maneira a deixá-la pensar que ela é que ia comandando!

Fim

Um miminho para enfeitares o teu blog maravilhoso, com um grande beijinho!

Rosa Mateus, 5 de junho de 2014